Cavaco na Turquia para apoiar adesão à UE

Cavaco Silva parte hoje para a Turquia, acompanhado de uma  comitiva de 30 empresários. O Presidente promete um apoio empenhado  de Portugal à adesão turca à União Europeia. Quer também contribuir para se reforçarem os laços económicos entre os dois países. Como de costume,  a visita terá também uma forte componente turística.

Reforçar o relacionamento comercial entre Lisboa e Ancara é o principal objectivo desta visita, que começa oficialmente hoje. Se as relações políticas entre Portugal e a Turquia são "excelentes", já as económicas ficam "aquém do seu potencial". A avaliação foi feita pelo próprio Presidente da República, na passada quinta-feira, quando recebeu, em Belém, um grupo de estudantes turcos a fazer Erasmus em Portugal.

Apostado assim na diplomacia económica, Cavaco Silva parte "com grandes expectativas" para Ancara, acompanhado por mais de 30 empresários, que vão reunir-se com outros empresários turcos. "Estou certo de que eles encontrarão novas oportunidades para trabalharem juntos", fez notar o Presidente da República, "até para desenvolverem parcerias, tendo em vista outros mercados. Por exemplo, em África, na América Latina, em Angola e Moçambique." (ver texto em baixo)

A aspiração da Turquia a entrar para o grupo dos 27 recolhe eco positivo da parte do Presidente da República português. Na passada semana, Cavaco prometeu o "apoio integral de Portugal" no processo de adesão, para que o país modernizado por Ataturk se torne "membro pleno" da União Europeia.

Essa deverá ser uma garantia a transmitir amanhã à tarde aos deputados da Grande Assembleia Nacional, onde o Chefe do Estado vai fazer uma intervenção. De acordo com Belém, apenas Bill Clinton, Barack Obama e os líderes de Israel e da Autoridade Palestiniana discursaram aqui.

Se, regra geral, não costuma haver divergências ao nível partidário em relação à política externa, o mesmo não acontece com a questão da Turquia. Apesar de o Presidente da República garantir que Lisboa apoia Ancara na pretensão de entrar na União Europeia, nem todos os partidos pensam da mesma forma (ver inquérito nas páginas 11 e 12).

O CDS manifesta reservas a toda a linha. Para justificar a posição, Hélder Amaral aponta, antes de mais, diferenças ao nível do "modelo económico e de desenvolvimento social". Daí a defesa do "reforço da cooperação" com o país que faz a ponte entre a Europa e a Ásia. Já a "integração pura e dura" merece "reservas". "Não é muito desejável", acrescenta, considerando que "não há nenhum problema" na falta de coincidência com a posição do Chefe do Estado português.

Jorge Strecht Ribeiro, deputado socialista que integra a comitiva de Cavaco Silva nesta visita, não vê as coisas da mesma forma: "O que o Presidente da República disser, o Governo acompanha." Ressalvando que a Turquia "tem de cumprir todos os critérios para se tornar um país democrático", Strecht Ribeiro alerta para o facto e da antiga Constantinopla - agora Istambul - ter uma "importância decisiva na própria construção europeia". Para além disso, actualmente há uma enorme imigração turca na Europa, o que leva o deputado a questionar: "Que sentido tem termos receio da adesão quando já temos tantos turcos dentro da Europa?"

O factor imigração também é lembrado por Paulo Rangel. No entanto, o líder parlamentar do PSD lembra que os turcos "não tiveram uma integração pacífica na Europa". Considerando o dossier de adesão da Turquia "extremamente complexo", Rangel anota arestas que há necessidade de limar: "Não é compatível com a União Europeia o estatuto menorizado das mulheres. Isso põe uma nuvem cinzenta nas negociações." Rangel não acredita que este processo possa ficar decidido em menos de dez anos. Por isso, defende que a Europa deve apostar em "parcerias" ao nível económico e de circulação de pessoas.

À esquerda, o Bloco manifesta-se favorável à adesão, porque "qualifica o projecto europeu", como sublinha Ana Drago. O PCP preferiu, por seu lado, não se pronunciar sobre a questão.

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