Cavaco diz que crise não pode travar aposta no conhecimento científico

O Presidente da República defendeu hoje, no Porto, a necessidade de se continuar a apostar no desenvolvimento do conhecimento científico, considerando que, na atual crise, abandonar esta ideia seria um erro.

"Abraçar a ideia de que a crise económica que vivemos constitui razão suficiente para se abandonar a aposta no desenvolvimento do conhecimento científico seria, certamente, uma visão míope", afirmou Cavaco Silva no âmbito da cerimónia que marcou a inauguração das novas instalações das faculdades de Medicina e Farmácia, e do Instituto de Ciências Abel Salazar, da Universidade do Porto.

Considerando que "os imperativos de contenção e rigor na gestão e no dispêndio de fundos públicos não devem fazer perigar nem o acesso dos mais carenciados ao ensino superior, nem as condições para a manutenção de um corpo docente e cientifico qualificado e mobilizado", o Presidente afirmou que se "impõe identificar e apostar nos melhores, não podendo o país dar-se ao luxo de os perder, porventura definitivamente, para outros centros de desenvolvimento científico no estrangeiro".

Para isso, acrescentou, "devem ser criadas as condições necessárias para que os melhores investigadores se fixem no país, sendo um bom sinal a prevista a elaboração de um estatuto do bolseiro que reconheça e valorize o seu trabalho".

"A comparação das instituições ao nível mundial é impiedosa e o único caminho para estarmos inscritos entre os melhores é prosseguir na senda da excelência, mantendo um corpo docente mobilizado e altamente qualificado e uma produção científica produtiva e internacionalmente reconhecida", frisou.

Cavaco Silva entende mesmo que Portugal deve até ter a ambição de conseguir atrair "os melhores" de outros países, "para assim lançar as bases para o desenvolvimento de novas parcerias e de novos setores produtivos em Portugal".

No seu discurso, Cavaco salientou também ser necessário que os agentes económicos e os empreendedores recrutem os cientistas nos centros de conhecimento científico, "tal como é importante que alguns entre estes se preocupem em empreender e, principalmente, em investigar em domínios que possam ser postos ao serviço das empresas e dos interesses estratégicos de Portugal".

O Presidente disse ainda que o país deve ter também a "ambição de associar mais fortemente a investigação científica a novos setores da economia".

Na sua opinião, Portugal necessita de "transformar o avultado custo do investimento realizado na ciência, ao longo das últimas décadas, em inovação, em produtos e serviços transacionáveis no mercado e em criação de riqueza e emprego".

"Portugal aproxima-se presentemente da média europeia no que respeita ao investimento feito na investigação científica, mas o facto é que surge na cauda da Europa quando se trata de converter o conhecimento em inovação", sublinhou.

O Presidente da República entende que "quanto maior for o nível de desenvolvimento científico de um país, maior será o seu potencial de gerar inovação e informação de qualidade e, logo, maior o potencial de criação de riqueza e de bem-estar da sociedade".

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