Caso Rui Pedro: debate instrutório é na quinta-feira

O Tribunal de Lousada realiza na quinta-feira o debate instrutório do caso Rui Pedro, num processo em que o suspeito de o raptar, Afonso Dias, se declara vítima de uma acusação "sem suporte factual".

No requerimento para a abertura de instrução do processo, o arguido questiona os testemunhos centrais da acusação, de menores à data dos factos, mas também de uma prostituta, e a alegada inexistência de prova técnica que comprovasse a presença de Rui Pedro no seu carro, na altura.

Rui Pedro desapareceu em Lousada em 4 de Março de 1998, tinha então 11 anos.

O despacho final de acusação, concluído em 11 de Fevereiro deste ano pelo procurador Vítor Magalhães, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), sustenta que Afonso usou o seu carro para levar Rui Pedro às prostitutas, mas não permite saber o que aconteceu depois ao jovem nem se este está vivo ou morto.

No seu requerimento, Afonso Dias garante que Rui Pedro não entrou na sua viatura "naquelas circunstâncias de modo, tempo e lugar", e diz não encontrar nos autos suporte factual bastante, incluindo prova pericial concludente ao veículo, para a dedução da acusação.

Também "não corresponde à verdade" que, na conversa mantida entre Afonso e Rui Pedro, no dia do desaparecimento, "o arguido tenha feito o convite para a ida a Freamunde 'às putas'" e depois o tenha levado para destino incerto, frisa o requerimento.

Referindo-se aos depoimentos dos colegas de Rui Pedro, destaca que "as testemunhas começaram com uma tese em crianças (1998), fazendo uma reconstituição em adolescentes (2004) e por fim nova inquirição já em fase adulta (2008), apresentando a versão de que ele era culpado".

Sublinha ainda que uma prostituta que terá contactado com o menor, sem consumar relações sexuais por inibição do miúdo que descreveu como sendo Rui Pedro, fez uma descrição alegadamente inexacta do desaparecido, trocando a cor dos olhos, que deu como azuis, quando seriam castanhos escuros.

Neste processo, aceitou-se, segundo o arguido, "memórias recuperadas" dez anos depois, "como se fossem genuínas, bem como, a sincronização dos discursos de modo a encontrar uma história colectiva para contar", num caso "irremediavelmente ferido de uma pressão mediática".

O requerente acusa, deste modo, o DCIAP de efectuar "uma selecção de tudo aparentemente incriminatório para o arguido, omitindo um facto de muita relevância para o caso concreto: o de que, em Lousada, não foi esta a última situação em que o Rui Pedro foi visto".

Afonso Dias pediu, sem êxito, nova reconstituição dos factos e a reinquirição da prostituta e dos amigos de Rui Pedro.

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