"Nunca tive conhecimento de qualquer dúvida sobre as contas"

O ministro do Trabalho e da Segurança Social foi membro da mesa da Assembleia Geral da instituição entre 2013 e 2015

Vieira da Silva afirmou hoje estar de consciência tranquila relativamente ao seu trabalho como membro da mesa da Assembleia Geral da associação Raríssimas, que alegadamente terá tido uma gestão danosa, segundo uma denúncia revelada no sábado por uma reportagem da TVI.

O ministro do Trabalho e da Segurança Social afirmou esta manhã aos jornalistas que na qualidade de membro da Assembleia Geral cumpria funcões estatutárias e admitiu ter conhecimento das contas da raríssimas. No entanto, salientou: "Nunca tive conhecimento de qualquer dúvida sobre essas mesmas contas". "Ninguém - não era apenas eu que fazia parte dessa estrutura - levantou alguma dúvida ao trabalho expresso nas contas dessa associação", frisou.

Vieira da Silva, que esteve ligado à associação entre 2013 e 2015, disse que "se isso tivesse acontecido teria agido em conformidade". "Se me pergunta se estou de consciência tranquila, estou", afirmou.

O governante recordou que a Raríssimas está a ser alvo de uma fiscalização por parte da inspeção. "Se houve alguma falha ou não isso ficará claro", disse, acrescentando que as conclusões ajudarão a perceber se houve alguma fragilidade da parte do Estado no que se refere à fiscalização e se há algo que possa ser mudado no futuro.

Vieira da Silva assumiu que o Ministério recebeu uma carta a denunciar para a situação da Raríssimas, mas garantiu que esta "não tinha nenhuma referência explicita ou implícita aos problemas que foram identificados na reportagem".

O ministro mostrou-se disponível para ir dar esclarecimentos ao parlamento, como o PS quer.

A TVI divulgou no sábado uma reportagem sobre a gestão da associação Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, financiada por subsídios do Estado e donativos. A investigação mostrou documentos que colocam em causa a gestão da instituição de solidariedade social, nomeadamente da sua presidente, Paula Brito e Costa, que alegadamente terá usado o dinheiro em compra de vestidos e vários gastos pessoais.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da Republica (PGR) informou que o Ministério Público está a investigar a Raríssimas, após uma denúncia anónima relativa a alegadas irregularidades na gestão financeira e ao uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente.

Também na segunda-feira, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou que iria "avaliar a situação" da Raríssimas e "agir em conformidade", após a denúncia de alegadas irregularidades na gestão financeira e de uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente.

Na terça-feira, a fundadora e presidente da associação demitiu-se do cargo. O escândalo também levou à saída do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, do governo.

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