Carnide Clube, uma coletividade que corre o risco de ficar sem a sede histórica

A informação foi conhecida em abril: a sede do clube, desde há 90 anos, será encerrada no final de agosto. Apesar da insistência do Carnide, os proprietários do palacete não querem renovar o contrato de arrendamento

Há 90 anos que o Carnide Clube reside na mesma morada. No palacete situado em frente ao Largo do Coreto, na zona histórica do bairro de Carnide, o clube desenvolveu-se e tornou-se uma instituição de utilidade pública que, atualmente, tem perto de 700 atletas, em diversas modalidades. Ao longo de décadas o clube já superou diversos problemas, mas corre neste momento o risco de perder a sua sede. O senhorio não quer renovar o contrato de arrendamento.

"É o maior desafio da nossa história", confirma Tânia Estronca, presidente do Carnide Clube. Em abril foi informada de que o clube teria de desocupar o palacete da Rua Neves Costa até ao final de agosto. Até lá, a coletividade continuará a lutar para manter a sede, um dos símbolos da sua identidade. "Estamos em luta e vamos dar luta, dentro daquilo que podemos fazer", frisa Tânia Estronca. Embora estejam abertos a negociação, os proprietários do edifício não querem renovar contrato e não põem a hipótese de vender o palacete. O possível aumento da renda - cujo valor atual é 250 euros - também não foi discutido.

Tendo como certo que o Carnide Clube terá, a longo prazo, de mudar de sede, Tânia não encontra nenhum espaço onde o clube possa ser realojado. Com a participação em campeonatos que terminam no início de junho e noutros que se irão prolongar durante mais tempo, a coletividade não consegue assegurar que o edifício esteja livre no fim de agosto.

Enquanto espaço social, a sede do Carnide Clube equipara-se a um centro de dia. Os associados e apoiantes, que frequentam há muitos anos as instalações, encontram nesta coletividade o espaço ideal para estarem entre amigos. "Se formos para um dos bairros novos, as pessoas da zona velha de Carnide não vão poder frequentar a sede onde sempre vieram para conviver", acrescenta Tânia.

Antes da designação de Carnide Clube, o projeto era conhecido como Carnide Club Ciclista. No seio de um grupo de amigos, em novembro de 1916, surgiu assim a vontade de proporcionar aos carnidenses as condições para o desenvolvimento do desporto. Filipe Felix da Silva foi o primeiro sócio e o primeiro presidente da direção. Com a Primeira Guerra Mundial, a direção foi forçada a encerrar o clube, fruto do envio de tropas portuguesas para o teatro de operações.

Em 1920 nasceu oficialmente o Carnide Clube. A comissão responsável definiu um regulamento interno e começou a procurar um local para fixar a sede da coletividade (até então as reuniões eram feitas nas casas dos fundadores). O palacete da Rua Neves Costa - propriedade dos condes de Carnide - foi o local escolhido, tornando-se assim a sede do Carnide Clube, oito anos após a sua fundação.

Seguiram-se nove décadas em que a coletividade mais antiga de Carnide cresceu em diversas modalidades. Com equipas federadas em basquetebol, futsal, taekwondo, karaté, kickboxing, o clube também já teve atletas em ciclismo e voleibol. Tendo o basquetebol como modalidade de eleição, o Carnide é atualmente o quarto clube português com mais títulos de campeões nacionais, apenas ultrapassado por Benfica, Sporting e Porto. Além da componente desportiva, o clube dinamiza eventos culturais como o Arraial de Carnide, nos Santos Populares, o Março é Juventude e o Carnaval desta freguesia. Com Cláudia Cristão

Desporto gratuito para 300 miúdos

Com o objetivo de expandir a sua modalidade de excelência, o Carnide Clube lançou um projeto social com o objetivo de fazer chegar o basquetebol a crianças e jovens da zona e de outras freguesias. "O basquetebol é por vezes considerado um desporto elitista, de difícil acesso. Queremos contribuir para a mudança dessa ideia", assinala Tânia Estronca.
Depois de um período embrionário, a Brandoa tornou-se a primeira localidade a ter um polo de minibasquetebol do clube, em 2013. Todos os alunos, dos 7 aos 17 anos, do Agrupamento de Escolas Fernando Namora passaram a usufruir gratuitamente da prática de basquetebol, treinando nas instalações da Escola Sacadura Cabral.
No ano passado, foi a vez de o Jardim de Infância do Lumiar e o Jardim de Infância do Bairro Padre Cruz se juntarem a esta iniciativa. No total, cerca de 300 crianças dos 4 aos 12 anos frequentam estes treinos.
Com a aposta forte na formação e na captação de jovens talentos, o Carnide destaca a possibilidade de os jovens poderem usufruir desta modalidade. "A nossa missão principal é ocupar as crianças, contribuindo também para a dinamização da nossa freguesia", conclui Tânia Estronca.

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