Cardeal diz que o Papa não é contra a vaca e o burro

O cardeal Manuel Monteiro de Castro afirmou hoje, em Braga, que "não tem sentido nenhum" a interpretação que foi dada às palavras do papa Bento XVI sobre a alegada orientação para retirar o burro e a vaca no presépio.

"Não tem sentido nenhum", afirmou Manuel Monteiro de Castro, penetenciário-mor do Tribunal da Penitenciária Apostólica, durante uma visita ao presépio ao vivo de Priscos, Braga, que inclui aqueles animais.

No seu mais recente livro, "A infância de Jesus", Bento XVI recordou que nos Evangelhos "não se fala de animais no lugar onde Jesus nasceu", um reparo que tem dado azo a todo o tipo de interpretações e reações.

Alguma imprensa escreveu que se tratava de uma proibição papal do burro e da vaca.

"Quem o comentou, lá o comentou pelo que ele quis e tem todo o direito a fazê-lo, todos nós podemos dizer aquilo em que acreditamos. Mas fazendo uma exegese do que escreveram, não tem sentido", disse ainda Manuel Monteiro de Castro.

Mais contundente foi a paróquia de Priscos, que, depois de aconselhar a que se desenganem os "agitadores das consciências cristãs", sublinhou que "Bento XVI não brinca ao Farmville com o presépio de Nosso Senhor".

"Por isso, muito embora afirme que os relatos evangélicos não referem a presença das duas bestas, entende que a mesma se justifica em termos hermenêuticos, bíblicos e da mais genuína tradição católica. Ao ponto de concluir que por isso nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento", acrescenta.

A paróquia sublinha que presépio significa curral, estábulo, o que confere legitimidade para poder incluir alguns animais.

Lembra ainda que o livro do Papa também diz que é verdadeiro e real o nascimento de Jesus Cristo, o filho de Deus e da Virgem Maria, esposa de José, em Belém de Judá, há pouco mais de 2 mil anos.

"Se tudo fosse discutível, como defendem alguns agitadores das consciências cristãs, o Natal não passaria na realidade de uma piedosa lenda, de um conto digno dos irmãos Grimm ou, à conta da vaca e do burro, de uma fábula à La Fontaine", remata, com ironia, a paróquia de Priscos.

Esta freguesia é palco, a partir de hoje e pelo sétimo ano consecutivo, do que intitula de "o maior presépio ao vivo da Europa", que reúne entre seis a oito centenas de figurantes num total de 90 cenários.

Ocupando uma área de 30 mil metros quadrados, o presépio de Priscos foi hoje inaugurado e voltará a apresentar-se a 25 e 30 de dezembro e a 1,3 e 5 de janeiro.

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