Candidaturas dividem PSD no Centro do país

Na maioria dos concelhos o PSD ainda não se entendeu quanto aos candidatos. Comissão nacional aprovou na terça-feira apenas 46. E abriu uma guerra nalguns pontos do país

Cheira bem, cheira a Leiria. O distrito onde o PSD se mantém líder à prova de qualquer adversário é aquele em que o partido já conseguiu fechar o maior número de candidaturas, embora permaneça a sensação de copo meio vazio, pois que das 16 câmaras apenas oito têm candidato aprovado pela Comissão Política Nacional.

Na reunião de terça-feira, a Comissão Política Nacional aprovou um total de 46, ficando a faltar 262. Destas, há 173 para aprovação distrital, 89 nas concelhias. E foi nesse patamar que em Leiria estalou (mais uma vez) o verniz, quando a comissão política aprovou, no mês passado e por unanimidade, o nome de Fernando Costa, tarimbado autarca de Caldas da Rainha, e que, por imposição da lei, cedeu o lugar a Tinta Ferreira, em 2013, candidatando-se à Câmara de Loures, onde assumiu o lugar de vereador.

Ao DN, Fernando Costa mostrou-se ontem satisfeito com a aprovação nacional: "Já estava à espera. Afinal, o meu nome tinha sido aprovado por unanimidade nos órgãos concelhios e distritais, não havia razão para ser de outra maneira." Mas poderia haver.

Em Leiria - onde tudo parece mais simples, pois que metade das candidaturas estão aprovadas - há várias feridas abertas. O distrito transformou-se há muito no maior bastião laranja (depois do cavaquistão que era Viseu, apelidou-se então de passistão), mas na capital arrisca-se não só a perder de novo a Câmara para o socialista Raul Castro, como a adensar as fraturas internas. A verdade é que, nas últimas semanas, o deputado Feliciano Barreiras Duarte tornou pública uma carta que escreveu ao líder do partido, Pedro Passos Coelho, dando a conhecer as conversas e reuniões tidas entre ambos com vista a uma eventual candidatura. "Se isto tudo aconteceu para eu servir de cobaia, para alguma coisa, registo-o. E não o esquecerei."

Se não foi, "no mínimo ficará como um processo pouco coerente e positivo", sublinha Barreiras Duarte, que numa sondagem recente aparecia mais bem posicionado do que Fernando Costa, embora nenhum dos dois fosse dado como vencedor. Costa desdramatiza os números e recorda o exemplo de Mário Soares: "Ele também partiu com 6% numas eleições, e acabou por ganhar." De resto, o autarca acredita que já conseguiu uma vitória, a de "unir o partido", partindo agora para a segunda, "que será ganhar a câmara". A escolha do ex--presidente da Câmara das Caldas da Rainha poderia ter afastado o cenário de uma coligação com o CDS na candidatura à câmara leiriense, mas Fernando Costa revelou ao DN o contrário: "Estou certo de que vai haver coligação. Já estamos a trabalhar nesse sentido. Atualmente, o PSD tem quatro vereadores e o CDS não tem nenhum, mas na minha lista irá ocupar o 4.º lugar. Já fiz três campanhas com o partido e correu sempre tudo bem." De resto, Costa diz que espera "contar com o apoio do dr. Feliciano, que era o candidato das cúpulas, enquanto eu era o das bases".

Ao lado, em Pombal, está declarada publicamente a guerra entre o ex-presidente, Narciso Mota, e a estrutura local do partido presidida pelo deputado Pedro Pimpão. Preterido pelo PSD - que deverá recandidatar Diogo Mateus, apesar de não ter sido ainda aprovado o nome, nem ser conhecida a disponibilidade do autarca -, Narciso apresentou há dias a sua candidatura independente ao município que liderou por 20 anos, e onde preside, ainda, à Assembleia Municipal. Nesse mesmo dia anunciou a desfiliação do PSD. "Senti-me humilhado", disse ao DN Narciso Mota, que enviou uma carta a Pedro Passos Coelho na qual lamenta a forma como foi tratado pelo partido.