Cancros da mama rastreados apresentam mais sobrevivência

Dados intermédios da avaliação do rastreio do cancro da mama em Portugal, divulgados hoje em Coimbra, permitem concluir que existe uma sobrevivência maior no caso dos tumores rastreados comparativamente aos outros.

Segundo o epidemiologista Vítor Rodrigues, da direcção da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), os cancros rastreados são mais pequenos, "diagnosticados mais precocemente", e verifica-se "uma maior percentagem de não envolvimento ganglionar, comparativamente àqueles que não vêm do rastreio". "Há uma sobrevivência maior no caso dos cancros de rastreio comparativamente aos outros. Só agora é que começamos a ter estes dados, indirectamente já começamos a ver que provavelmente o impacto na mortalidade vai acontecer", disse Vítor Rodrigues aos jornalistas. O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra foi um dos oradores no congresso "Duas décadas de rastreio do cancro da mama em Portugal", que decorre até sexta-feira em Coimbra. "Temos alguma evidência indirecta da redução da taxa de mortalidade, mas evidência directa ainda não", disse Vítor Rodrigues na sua comunicação, sobre o desenvolvimento do rastreio do cancro da mama em Portugal.

Segundo explicou aos jornalistas, a avaliação directa não existe porque ainda não é possível. "Um programa de rastreio interessa para se fazer a redução da taxa de mortalidade, só que essa redução só se começa a ver a 10/12 anos", referiu. A região Centro foi pioneira neste rastreio há 20 anos, embora só tenha ficado completamente coberta em 2001, adiantou. "As pessoas, se quiserem ter cancros diagnosticados mais precocemente, têm de ir ao rastreio e repeti-lo", alertou o antigo coordenador nacional do programa, que foi também responsável pela sua coordenação na região Centro. De acordo com Vítor Rodrigues, o sucesso deste programa permitiu o lançamento de outros programas de rastreio oncológicos e teve impacto também a nível de "um desenvolvimento muito grande" da senologia (doenças da mama).

Segundo o dirigente da LPCC, atualmente apenas o Grande Porto e a Grande Lisboa não estão cobertos por rastreios do cancro da mama, prevendo-se, no primeiro caso, que isso aconteça no período de dois anos. No balanço dos 20 anos do rastreio desta doença oncológica, enunciando as principais dificuldades, o epidemiologista destacou "dinheiro e organização". Referia-se à organização das bases de dados dos centros de saúde e a "algum atraso" na recolha de dados de diagnóstico quando as mulheres vão para o hospital, a nível de retorno da informação. Organizado pelo Núcleo Regional do Centro da LPCC, o congresso destina-se a autoridades e profissionais de saúde que lidam com esta actividade em Portugal. O evento conta com cerca de centena e meia de participantes e integra-se nas celebrações dos 70 anos da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

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