Camas hospitalares e consultas "claramente insuficientes"

O número de camas hospitalares nas unidades de pneumologia e de consultas desta especialidade é "claramente insuficiente" face ao peso das doenças respiratórias nos internamentos, alerta um relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias (ONDR).

Os internamentos hospitalares por doença respiratória aumentaram cerca de 15 por cento entre 2003 e 2008, tendo sido responsáveis por mais de 19 por cento das hospitalizações no ano passado, adianta o quinto relatório do ONDR, que será divulgado hoje em Lisboa.

Nos hospitais existem 589 camas em serviços ou unidades de pneumologia, ou seja, apenas 2,7 por cento das camas hospitalares, "o que parece bastante insuficiente face ao peso das doenças respiratórias no internamento", salientam as conclusões do documento, a que a Agência Lusa teve acesso.

Dessas camas, 311 (53 por cento) estão em hospitais centrais e as restantes em hospitais distritais.

Para o ONDR, o número de consultas hospitalares de pneumologia também parece "claramente insuficiente". Em 2006 realizaram-se 247 545 consultas (2,7 por cento do total das consultas).

Para cada 21 283 portugueses, existe um pneumologista, um número "claramente inferior" ao de outras especialidades, como a cardiologia (1/13 819 habitantes), pediatria (1/7260) ou medicina interna (1/6354).

Em declarações à agência Lusa, o presidente do ONDR, Teles de Araújo, afirmou que o tabaco e os factores ambientais são os principais responsáveis pelo desenvolvimento das doenças respiratórias.

O pneumologista adiantou que a lei do tabaco teve impacto na protecção da saúde dos não fumadores, mas que ainda é cedo para avaliar os seus efeitos nos fumadores.

"A redução do número de fumadores é relativamente pequena", sublinhou, defendendo uma intervenção nas camadas mais jovens para que não comecem a fumar.

"São urgentes medidas complementares que passarão pela área legislativa, pelos impostos sobre o tabaco e, fundamentalmente, por campanhas intensivas de informação e educação", acrescenta o documento.

Sobre os factores ambientais, Teles de Araújo assinalou uma tendência para a diminuição das concentrações de partículas. As regiões onde se verificam as maiores concentrações de partículas são as Área Metropolitana de Lisboa Norte e o Porto Litoral.

Para o ONDR, "o reconhecimento da importância de um papel activo dos doentes na gestão da sua doença crónica, partilhada com os profissionais de saúde, e na selecção de tratamentos mais apropriados, assume-se como fulcral para assegurar um novo paradigma de prestação de cuidados centrados no doente".

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