Câmara de Oliveira do Hospital já disse ao Governo que pode receber refugiados

José Carlos Alexandrino diz que município está disponível para acolher "dez famílias de refugiados que tentam chegar à Europa" e para as integrar na comunidade.

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, disse hoje que o município está disponível para acolher "dez famílias de refugiados que tentam chegar à Europa" e para as integrar na comunidade.

Oliveira do Hospital é "um município verdadeiramente inclusivo que se pauta pelos valores da solidariedade" e "não consegue ficar indiferente ao drama humano que as diferentes guerras de intolerância político-religiosa têm produzido", afirmou José Carlos Alexandrino.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital falava durante uma conferência de imprensa realizada no final da reunião do Conselho Regional do Centro (CRC), que decorreu hoje naquela cidade do norte do distrito de Coimbra.

"Sabemos que é apenas um pequeno auxílio", pois são muitos os refugiados, mas pode ser que "o nosso exemplo seja seguido por outros", acrescentou o autarca (independente eleito pelo PS), esclarecendo que o acolhimento de dez famílias significará "vinte, trinta ou mais pessoas".

O município de Oliveira do Hospital já manifestou essa disponibilidade ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em carta enviada na segunda-feira, 25 de maio.

"Temos consciência da dor e do drama dos que preferem morrer afogados a não tentarem a sua sorte, tudo fazendo para acostar à Europa, qual terra prometida", como "sabemos daqueles que querem fugir da pobreza, da guerra, da doença massiva e da desgraça coletiva", afirma o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, na carta dirigida ao chefe do Governo.

Como "povo solidário que somos, temos a obrigação ética e moral de contribuir para ajudar a minorar esta tragédia humanitária", sustenta José Carlos Alexandrino na mesma missiva, à qual a agência Lusa teve acesso.

O município de Oliveira do Hospital está disponível para "acolher no seu espaço territorial dez famílias de refugiados" e para as integrar na comunidade, "dando-lhes condições habitacionais, de formação, língua, cultura e dinâmicas societárias locais, que induzam a uma boa integração", assim como para promover a sua "colocação em oferta de emprego disponíveis no concelho".

A Câmara "tem consciência da responsabilidade desta proposta", mas também tem "trabalho feito nesta matéria", assegura o autarca.

"Oliveira do Hospital dispõe de desde há três anos de uma plataforma de acolhimento" (Fórum das Comunidade Estrangeiras) para receber e integrar cidadãos de outros países, "fazendo-os membros de pleno direito da nossa comunidade", exemplifica José Carlos Alexandrino.

"Temos a consciência de que não resolveremos todos os problemas, mas queremos contribuir para minorar este drama humanitário e simultaneamente dar um sinal a outros municípios portugueses e às próprias estâncias comunitárias", no sentido de contribuir para "um mundo mais solidário".

O secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, também presente na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do CRC, escusou-se a comentar a atitude da Câmara de Oliveira do Hospital.

Leitão Amaro disse, no entanto, que irá "falar com os colegas" de Governo, no sentido de os sensibilizar para o "grave problema" dos refugiados, que, de resto, tem merecido a atenção do Governo, designadamente no âmbito da União Europeia.

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