Caldo verde e cobertores para aguentar a noite

Autarquia, Cruz Vermelha, Santa Casa  e organização de solidariedade montaram operação de apoio aos sem-abrigo.

Uma equipa de mais de 50 pessoas - entre Cruz Vermelha, Protecção Civil da Câmara de Lisboa, Santa Casa e Associação Novos Rostos, Novas Fronteiras - mobilizou-se ontem para dar algum conforto aos sem-abrigo da capital. Uma ajuda que, apesar do frio, nem todos os que o DN ouviu quiseram aproveitar.

A "base" desta operação foi instalada no Pavilhão Desportivo da Ajuda, onde ao final da tarde de ontem se faziam os últimos preparativos para receber os sem-abrigo recolhidos por equipas de rua, em pontos-chave junto às estações de metro da Baixa-Chiado, Saldanha, Intendente e da Estação de Santa Apolónia.

Victor Vieira, do departamento de Protecção Civil Municipal, explicou ao DN que o espaço está preparado "para acolher entre 100 e 150 pessoas", apesar de se "esperarem menos" na noite de ontem. Isto porque, explicou, mesmo com um trabalho prévio de divulgação destas acções, "acaba por haver um passa-palavra" entre os sem- -abrigo que leva a que os números aumentem ao longo dos dias.

No pavilhão desportivo, além de uma refeição quente - um caldo verde, acompanhada de diferentes sanduíches, bolos, chás e café -, os sem-abrigo recebem cobertores e outros agasalhos. Quem precisar tem ainda apoio médico à disposição.

Entre os serviços da autarquia e da Santa Casa organizou-se também a oferta de alojamento para quem o pedisse: "Estamos a trabalhar conjugadamente. Temos um ponto de triagem, e depois faz-se um encaminhamento das pessoas que precisam para centros de abrigo", disse ao DN Julieta Martins, do departamento de acção social da Santa Casa.

Entre os sem-abrigo ouvidos ontem pelo DN, junto à Estação de Santa Apolónia, as reacções a esta iniciativa dividiram-se. Houve quem até aproveitasse a presença dos jornalistas para pedir mais informações. E quem, como António, de 39 anos, dispensasse a oferta.

"Tenho com que me aquecer, ontem até emprestei uns cobertores", disse. "Vou só esperar pela carrinha com a refeição e fico mesmo no meu sítio do costume."

Já Carlos, 49 anos, mesmo confessando ter sentido "muito frio" na véspera, ponderava ainda a deslocação à Ajuda: "Não sei. Não é por um dia que fico melhor. Tenho de comer e arranjar sítio para dormir todos os dias."

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