Cada vez mais reformados fazem voluntariado

O número de reformados a fazer voluntariado está a crescer. No País, mais de um milhão e meio de voluntários trabalham na área social, no apoio a crianças e jovens em risco, idosos, ou na distribuição de alimentos a carenciados. Mas é urgente haver mais organização.

"São um grupo com enorme potencial", afirma João Teixeira, da Confederação Portuguesa de Voluntariado (CPV) que ontem organizou o primeiro congresso português. No Dia Internacional do Voluntariado, que hoje se assinala, o voluntário diz que à sua associação - Corpo Nacional de Escutas - estão a chegar cada vez mais pessoas, já reformadas, disponíveis para apoiar na formação de jovens.

Mas no universo do voluntariado falta organização, um modelo organizativo, e conhecer melhor o voluntário", acrescenta Susana Queiroga, vice-presidente da CPV.

Não há números oficiais de pessoas nem organizações promotoras de voluntariado, embora um estudo da Universidade Católica de 2001 refira um milhão e meio de voluntários. "Mas aí incluem-se tanto as pessoas que fazem uma campanha do Banco Alimentar como os 13 mil animadores do escutismo, comprometidos 365 dias por ano", alerta João Teixeira. Ou seja, "não sabemos se são voluntários que fazem um trabalho de continuidade ou esporádico", acrescenta Susana Queiroga.

Em tempo de crise o número de pessoas que se oferecem para determinados trabalhos subiu, diz Vítor Veloso, da Liga Portuguesa contra o Cancro. "Parece um contra-senso, mas é verdade. Nestas alturas as pessoas pensam mais que quem está ao lado precisa de ajuda", salientou ao DN. O médico diz que neste momento há 300 pessoas inscritas para 70 vagas.

"Com o Serviço Nacional de Saúde cada vez mais aflito, os voluntários são muito importantes para humanizar os hospitais", salientou. Vítor Veloso diz ainda que há cada vez mais jovens e homens. "Já perceberam que não são só as mulheres a fazer. E os jovens são importantes para revitalizar o sector." O médico considera mesmo que as novas gerações têm mais consciência social: "Compreendem que a vida não vai ser fácil e começam cedo a ajudar, o que lhes dá uma imagem da realidade." Salientando a falta de organização, não hesita em dizer que o povo português "é fantástico". "A nível nacional, as horas que se dão ao voluntariado cobrem 5% do PIB nacional", realçou.

Além da área social, há voluntariado ambiental e empresarial. Também aí tem havido um crescimento, com as empresas a organizar acções com os funcionários.

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