Cabeleireiro fechado pela ASAE praticava medicina estética

Três mulheres terão ficado com lesões permanentes. Apreendidas centenas de medicamentos fora do prazo, agulhas e seringas, e instaurado um processo-crime por corrupção de substâncias médicas e usurpação de funções.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) encerrou ontem uma arrecadação onde era praticada medicina estética, que funcionava num cabeleireiro em Faro, tendo apreendido centenas de embalagens de medicamentos fora da validade. A acção seguiu-se às queixas de três mulheres contra o responsável, por terem ficado com infecções causadas por injecções anticelulite. A ASAE instaurou um processo-crime por corrupção de substâncias médicas e prática de medicina por pessoa não habilitada (usurpação de funções).

"Foram aprendidas centenas de embalagens de medicamentos, na sua grande maioria fora de prazo, que eram ministrados às pacientes para combater a celulite. Foram ainda apreendidas seringas e agulhas cirúrgicas, assim como todo o lixo produzido, servindo de evidência à prática de actos médicos. Todos os produtos homeopáticos, quase todos sem identificação nem rotulagem, foram igualmente apreendidos", explicou a ASAE através de comunicado. A acção foi desencadeada pelas queixas-crime apresentadas por três pacientes a quem os tratamentos terão provocado lesões permanentes.

Ontem, a clínica Day Spa e Cabeleireiro Fátima Ministro e Rui Coelho continuava com as portas abertas ao público, funcionando apenas o salão de cabeleireiro. Já que o spa ou zona de tratamentos de estética, que estava a ser dirigido por uma pessoa sem habilitações para fazer tratamentos, foi encerrado por falta de condições e produtos fora da validade.

"O gabinete de estética funcionava numa arrecadação, onde eventualmente eram feitos os tratamentos. Um espaço sem condições de ventilação. Havia produtos de ervanária fora do prazo. A ASAE já tinha estado no local quarta-feira e na quinta, dia em que chamou a delegada de saúde como perita", explicou ao DN Francisco Mendonça, delegado de saúde pública no Algarve.

Os tratamentos de combate à celulite em causa terão provocado lesões permanentes a três mulheres que foram submetidas a sessões de mesoterapia, com recurso a seringas, que terão infectado as zonas perfuradas. "Existem bactérias na pele e se esta não for criteriosamente desinfectada as bactérias podem entrar para o tecido adiposo, músculo e sangue. Pode desencadear infecções locais, na zona da aplicação, regionais, quando aparecem gânglios nas virilhas, e generalizada, que é uma septicemia", explicou ao DN Biscaia Fraga, cirurgião plástico (ver entrevista).

Uma moradora, ouvida pelo DN, disse que "os tratamentos de estética nesta clínica são realmente eficientes. Mas independentemente de haver ou não resultados, as pessoas têm tendência em levar isto para o negativo e falar mal. E às vezes as coisas até correm bem", disse, pedindo para não ser identificada. O DN tentou falar com Fátima Ministro, mas esta manteve-se incontactável até ao fecho desta edição.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG