Buscas da PJ no Caixa BI e no ex-BESI relacionadas com Operação Marquês

Operação está relacionada com a Operação Marquês, nomeadamente com os serviços prestados a um cliente, diz PGR

As instalações da Caixa BI, banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos, e da Haitong (antiga BESI, Banco Espírito Santo de Investimento) foram alvo de buscas esta manhã. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), essa buscas realizaram-se no âmbito da Operação Marquês, a mesma que levou à detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

A operação está relacionada com a venda pela PT da Vivo à Telefónica e compra da Oi, revelou o Expresso, uma informação entretanto confirmada pelo Dinheiro Vivo.

Ao que apurou o Dinheiro Vivo, as buscas estarão relacionadas com a operação de venda da Vivo pela PT e compra de uma participação na Oi, anterior a 2010. A Caixa foi acionista da PT até outubro de 2013, altura em que vendeu a sua participação no âmbito do programa de alienação de ativos não estratégicos da banca. O Haitong, ex-BESI, também esteve envolvido na venda da Vivo à Telefónica e compra da Oi.

De acordo com o comunicado da PGR, "estas diligências têm em vista a recolha de elementos de prova relativos a serviços prestados pela Caixa BI e pelo antigo BESI (atual Haitong) a um cliente, não estando em causa a responsabilidade das referidas entidades".

Segundo a PGR, neste processo, que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), investigam-se factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Nestas diligências, o Ministério Público é coadjuvado pela Autoridade Tributária (AT) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

No passado dia 14, o Ministério Público realizou igualmente buscas, também no âmbito da Operação Marquês, a sociedades do grupo PT, residências de antigos gestores da empresa, nomeadamente Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, e a um escritório de advogados.

Em causa, adiantou na altura a PGR, estavam "eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo".

De acordo com o que a SIC Noticias noticiou então, as autoridades estão a investigar se foram pagas luvas a José Sócrates, que era primeiro-ministro quando a PT saiu do capital da Vivo e entrou na Oi.

A Operação Marquês já conta com mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.

Entre os arguidos no processo da Operação Marquês estão ainda a ex-mulher de Sócrates Sofia Fava, o ex-administrador da CGD e antigo ministro socialista Armando Vara e a sua filha Bárbara Vara, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

O MP enviou uma carta rogatória para Angola para constituir arguido o empresário luso-angolano Helder Bataglia.

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