Bloco quer Centeno ordene auditoria forense à CGD

Bloquistas dizem que comissão de inquérito proposta pelo PSD confirma as "piores expectativas" e que visa "prejudicar a recapitalização" do banco. Auditoria recua até 1996

O texto do PSD - a parte resolutiva - para que seja constituída uma comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) não convenceu o Bloco de Esquerda (BE) e, como tal, os bloquistas vão mesmo avançar com um projeto de resolução para que o Ministério das Finanças ponha em marcha uma auditoria forense ao banco público, que incida sobre os últimos 20 anos, ou seja, a partir de 1996.

"Este texto confirmou as nossas piores expectativas, já enunciadas no debate parlamentar da semana passada", afirmou esta segunda-feira, na Assembleia da República, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, para quem a iniciativa do PSD "via criar obstáculos à recapitalização" da CGD.

Fazendo alusão às auditorias que já foram feitas àquela entidade e à importância de perceber qual foi a política de crédito da CGD ao longo dos últimos anos, Pedro Filipe Soares observou: "O Bloco não dispensa o esclarecimento das responsabilidades pelas decisões de gestão ruinosas para o banco público, mas como já esperávamos não é isso que motiva o PSD."

"É necessário que o Parlamento conheça nos próximos dias os resultados dessas auditorias, que podem ser úteis para que se saiba a dimensão destes empréstimos e destes incumprimentos", acrescentou o dirigente bloquista, antes de notar que essa informação "não dispensa a auditoria forense" que a força liderada por Catarina Martins tem reivindicado.

"Mantemos esse nosso apelo. O Ministério das Finanças deve ordenar uma auditoria forense em nome do acionista Estado e as suas conclusões, se o justificarem, devem ser enviadas para o Ministério Público", apontou, justificando que muitos dados podem escapar à malha da CPI - devido ao sigilo bancário e por se tratar de um banco em pleno funcionamento.

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