Bloco pede "fim da lei da selva" na Peugeot Citroën de Mangualde

Carlos Vieira, do Bloco, diz que na fábrica de Mangualde se vive "mais um episódio de uma verdadeira novela da precariedade".

A Comissão Distrital de Viseu do Blocode Esquerda exigiu hoje "o fim da lei da selva" na Peugeot Citroën de Mangualde, que vem permitindo a entrada e a saída de um grande número de trabalhadores nos últimos anos.

De acordo com Carlos Vieira, dirigente do Bloco de Esquerda, na fábrica de Mangualde vive-se "mais um episódio de uma verdadeira novela da precariedade".

"Assiste-se a uma verdadeira lei da selva, em que se despede, volta a contratar-se, para voltar a despedir e, quando não podem despedir mais, por impeditivos legais, como parece ser o caso, recorre-se a este esquema das rescisões voluntárias", acrescentou.

A PSA Peugeot Citroën de Mangualde anunciou na segunda-feira ter lançado um plano de saídas voluntárias, no âmbito de um "plano de produtividade e racionalização de custos".

Em comunicado, referiu que, "tendo em vista um posicionamento competitivo no seio do grupo PSA que lhe permita ganhar a atribuição de novos veículos que substituam os atuais modelos quando chegarem ao fim do seu ciclo de vida, tem em desenvolvimento, à semelhança de outras fábricas na Europa, um plano de produtividade e racionalização de custos" que prevê "uma diminuição gradual de efetivos".

Na opinião do BE, esta é "uma forma encapotada de despedir trabalhadores", repetindo-se o mesmo cenário que em 2009, altura em que teve lugar um outro plano de saídas voluntárias.

"Isto acontece porque a empresa obteve benefícios fiscais e não pode proceder a mais despedimentos. A lei diz que com este plano só pode sair um máximo de 80 trabalhadores, mas só não o fazem com mais porque não podem", lamentou.

O dirigente bloquista apontou ainda "a ameaça que vem sendo feita pela direção do centro de Mangualde", no sentido de reduzir o salário e proceder a cortes nos prémios de assiduidade e produtividade, para além de "usarem abusivamente da bolsa de horas".

"Assim, criam mau ambiente e desmotivam os operários, levando-os, de certa forma, a optar por uma saída de emergência face à degradação das relações laborais", realçou.

Para Carlos Vieira, os trabalhadores já não acreditam nas promessas da administração, quando dizem que "os que agora irão ser despedidos serão privilegiados em eventuais contratações futuras".

"Esta situação é inaceitável e não pode continuar, até porque a empresa teve vários apoios públicos para a sua atividade. A PSA Peugeot Citroen de Mangualde recebeu do Estado benefícios e isenções fiscais e apoios de 8,6 milhões de euros em 2007 e 21 milhões de euros em 2010 para a criação de postos de trabalho e a manutenção da laboração, para além de a Câmara Municipal de Mangualde ter cedido terrenos pertencentes à Estrada Nacional 16 para a ampliação das instalações", referiu.

Carlos Vieira avançou ainda que o grupo parlamentar do BE enviou aos ministérios da Economia e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social três questões sobre a situação da Peugeot Citroen de Mangualde.

Os bloquistas pretendem que o Governo esclareça se tem "conhecimento do novo despedimento que se está a preparar na PSA Peugeot Citroen de Mangualde" e quais os apoios públicos que a empresa teve acesso nos últimos anos.

Questionam ainda quanto ganhou em aumento de produção e de exportações desde 2013.

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