Bispos querem que troika "cultive virtude do realismo"

Os bispos católicos portugueses querem que a troika "cultive a virtude do realismo", disse hoje o porta-voz do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que reuniu em Fátima.

"Confiamos que quem vem de fora para nos ajudar cultive a virtude do realismo para que possamos ver a luz ao fundo do túnel e haja um clima de esperança que também nos ajude a ultrapassar a crise", defendeu Manuel Morujão.

Questionado sobre a possibilidade de uma melhoria do programa de ajustamento admitida hoje pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o porta-voz da CEP defendeu que será bem vindo "tudo o que vier dos organismos internacionais, que nos ajudam e nos controlam, que beneficie os que mais sofrem com estas medidas [económicas]".

O padre sublinhou ainda que "sem confiança e sem esperança não há clima de trabalho, de seriedade e empenho, para que todos se sintam responsáveis pela solução da crise".

Se, por um lado, esclareceu, "temos de saber aceitar as medidas económicas que o Governo tem lançado", por outro "temos de levantar a voz para defender os menos desfavorecidos e mais frágeis na sociedade", já que "a Igreja não pode estar senão do lado dos mais fracos", frisou.

Durante o Conselho permanente da CEP, os bispos manifestaram ainda a sua preocupação e solidariedade face aos massacres na Nigéria que têm vitimado cristãos, sublinhando que nenhuma religião deve ser culpada pelo fundamentalismo de alguns.

"São excrescências das religiões" que, neste caso, são responsáveis pela morte de mais de três mil cristãos nos últimos três anos, salientou o porta-voz da CEP, acrescentando que é imperiosa a intervenção internacional para que se restabeleça a ordem e o respeito naquele país africano.

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