Bispos debatem este mês questionário do Vaticano

A assembleia plenária dos bispos portugueses, agendada para novembro, vai analisar a forma como será feito o questionário do Vaticano que aborda temas como o divórcio e o casamento homossexual, disse o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.

O Vaticano enviou às conferências episcopais de todo o mundo um inquérito com questões sobre o divórcio, o casamento homossexual e a contraceção, no âmbito da preparação para o sínodo sobre a família que decorrerá em Roma, entre 05 e 19 outubro de 2014.

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, disse hoje à Lusa que o presidente da conferência episcopal, Manuel Clemente, recebeu "recentemente" o documento preparatório do próximo sínodo.

O questionário, organizado pelo secretariado-geral do sínodo, tem "cerca de 35 perguntas", divididas em nove temas, entre os quais matrimónio segundo a lei natural, união de pessoas do mesmo sexo, educação dos filhos no contexto de situações matrimoniais irregulares e pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis.

O porta-voz da CEP explicou que "cabe a cada diocese decidir a forma de divulgação e de realização deste questionário, ou aos bispos, em conjunto, tomarem uma decisão".

Segundo o padre Manuel Morujão, o tema estará em discussão na assembleia plenária dos bispos portugueses, de 11 a 14 de novembro, em Fátima, encontro que "será a ocasião para dar mais algumas orientações concretas sobre a reparação do próximo sínodo".

O resumo das respostas ao questionário deve ser enviado ao Vaticano até ao final de janeiro de 2014, pelo que as dioceses portuguesas devem enviar as informações recolhidas para o secretariado-geral da conferência episcopal no início de janeiro.

De acordo com a informação divulgada na página na Internet da publicação National Catholic Reporter, o questionário começou a ser enviado no dia 18 de outubro, acompanhado por uma carta do arcebispo Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do sínodo.

Segundo a doutrina católica, o casamento é um compromisso para toda a vida. A rutura deste laço e uma nova união impede a comunhão na missa, se o casamento anterior não for anulado.

O tema dos divorciados que voltaram a casar é delicado. Muitos deles, muito envolvidos na Igreja, revoltaram-se por serem excluídos da comunhão, o que levou o papa Francisco a manifestar vontade de "tomar uma iniciativa para resolver os problemas da nulidade dos casamentos".

Tal como Francisco, Bento XVI já tinha referido que os divorciados deviam ser acolhidos na Igreja. Os dois papas pretendem aprofundar as razões da nulidade do casamento, com a ideia de os tornar possíveis em caso de imaturidade, falta de fé, nomeadamente, quando o sacramento foi decidido por ser tradição.

O papa argentino está preocupado com a situação da família tradicional, perante o aumento dos divórcios, das dificuldades de algumas famílias recompostas e as novas formas de famílias, como a união entre pessoas do mesmo sexo.

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