BE mantém que há 100 mil precários no Estado

Catarina Martins diz que processo em curso é "uma primeira fase" que deixa trabalhadores de fora.

Depois de o ministro do Trabalho dizer ontem que são menos de 30 mil os trabalhadores com contratos precários no Estado, a líder do BE reafirmou existirem 100 000 e que este número é "uma vergonha".

Na entrevista ao DN e à TSF, ontem divulgada, Vieira da Silva precisou que a estimativa de haver 100 mil precários no Estado tinha por base "um levantamento que foi feito de todos os contratos não duradouros" (o que significa haver trabalhadores com mais do que um trabalho temporário).

Catarina Martins, intervindo num convívio de verão dos bloquistas na praia fluvial de Valhelhas (Guarda), disse estar em curso "uma primeira fase" desse processo de integração que "abrange só parte dos trabalhadores" -pelo que o BE vai "exigir que abranja todos os trabalhadores precários que ocupam postos de trabalho permanentes".

"Lutaremos para [o processo de regularização dos precários no Estado] atingir todos os trabalhadores" e, em especial, "para que seja feita justiça aos professores contratados e aos trabalhadores das autarquias". Estes funcionários "não podem ser menos do que os outros", argumentou a líder do BE.

"Num sítio onde há um posto de trabalho para ser ocupado tem de existir um contrato. Tem de existir um salário. Lutar contra a precariedade é uma tarefa no privado e é uma tarefa do Estado, porque é essa tarefa que temos: viver com dignidade", sublinhou ainda Catarina Martins.

O PCP, numa nota escrita enviada ao DN, insistiu que "o programa de regularização de trabalhadores com vínculo precário deve ser determinado pelo objetivo de garantir que cada posto de trabalho correspondente a uma necessidade permanente deve dar lugar um contrato com vínculo efetivo".

Por isso é que, "sem prejuízo da iniciativa de cada trabalhador naquelas circunstâncias, deve ser responsabilidade do Governo, dos serviços da Administração e empresas públicas identificar cada situação no respetivo serviço para efeitos de regularização", adiantaram os comunistas.

Quanto ao futuro da geringonça, onde Vieira da Silva admitiu que será penalizado o partido - PS, BE ou PCP - que abrir uma crise nessa aliança parlamentar, o deputado do Bloco José Manuel Pureza afirmou ao DN que "quem será penalizado será quem não cumprir os acordos que deram origem" à atual solução governativa. "Não acho que a solução esteja pendente de qualquer vigilância de quem é que vai romper" o acordo entre os partidos de esquerda. "Acreditamos que os acordos são corretos e devem ser cumpridos em toda a sua dimensão e conteúdo", acrescentou José Manuel Pureza.

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