BE justifica moção de censura com "questões sociais"

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, afirmou na sexta-feira em Setúbal que a moção de censura ao Governo está concentrada "nas questões sociais e nos valores" que devem ser preservados na sociedade portuguesa.

"A nossa moção é uma moção seca, não ideológica, concentrada nos problemas sociais, porque nós batemo-nos por valores e por urgências. É claro que isso significa responder a quem provoca o desemprego, ou à política económica que provoca os recibos verdes", disse Francisco Louçã à Lusa depois de um encontro com cerca de uma centena de apoiantes do Bloco de Esquerda, em Setúbal.

"Enfrentamos a economia cruel que está a atacar e a fazer estas vítimas [desempregados e trabalhadores precários]. E fazemo-lo com clareza. Por isso é que não aceitámos, no Orçamento de Estado, a redução de salários ou o aumento dos impostos, ou a redução do abono de família", disse o dirigente bloquista. Muito crítico face à governação socialista, Francisco Louçã também não poupou o PSD, principal partido da oposição, que acusou de ter recusado a moção de censura antes de a conhecer.

Quanto à possibilidade de Portugal ter de pedir a ajuda externa dentro de pouco tempo, Francisco Louçã deixou claro que, de uma forma ou de outra, a União Europeia e o FMI já estão a condicionar a economia portuguesa."Na verdade o FMI já está a agir, quando o governo procura reduzir a indemnização pelo despedimento, ou facilitar os despedimentos, mas a pressão financeira está a aumentar muito nas últimas horas", reconheceu. "Portugal está a pagar juros que não pode pagar: 15.000 euros por minuto pelos juros da dívida, mais do que gastamos na educação. Não pode ser. Isto significa que a União Europeia está a favorecer a especulação, juntamente com o FMI", acrescentou.

Para Francisco Louçã, num país onde há cerca de 700.000 desempregados e cerca de um milhão de trabalhadores com emprego precário, é necessário avançar com medidas alternativas às políticas ditadas pela União Europeia e pelo FMI. De acordo com o dirigente bloquista, essas medidas passam pelo combate aos falsos recibos verdes, ao trabalho precário, e, fundamentalmente, por uma maior equidade fiscal.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG