Bastonário exige explicações sobre caso Rui Pedro

O bastonário dos advogados, Marinho Pinto, reconheceu hoje que crimes mediáticos, como o caso do RuiPedro, sujeitam os investigadores a grande pressão, mas sublinhou que estes devem investigar para descobrir a verdade e não para salvar a face da justiça.

"Crimes mediáticos são muito ingratos para os investigadores, porque os mantêm permanentemente sob pressão, mas eles devem investigar para descobrir a verdade e não para salvar a face da justiça ou dos investigadores e apresentar um culpado perante a opinião pública", afirmou à Lusa Marinho Pinto.

O bastonário da Ordem dos Advogados mantém que a Procuradoria-Geral da República tem que dar explicações públicas sobre o que aconteceu na investigação do desaparecimento de RuiPedro durante estes 13 anos.

A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, explicou domingo que o Ministério Público (MP) chegou agora a indícios que considera suficientes, depois de fechadas as outras pistas de pedofilia internacional, que "foi preciso explorar até à exaustão". "Foi agora porque já tínhamos indícios suficientes para uma acusação", afirmou hoje a procuradora.

Confrontado com esta justificação, Marinho Pinto escusou-se a comentar detalhes da investigação, mas reiterou que continua a ser necessária uma explicação pública.

"O MP tem que explicar porque só agora vai deduzir acusação. É preciso uma explicação pública sobre por que é que 13 anos depois deduz acusação. Se há factos novos, quais são, se não os há, o que andou a fazer este tempo todo", afirmou.

A acusação de crime de rapto foi deduzida a 11 de Fevereiro, mas só domingo é que o principal suspeito - Afonso Dias - foi notificado.

Rui Pedro foi visto pela última vez a 4 de Março de 1998, em Lousada, quando tinha onze anos.

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