Barco mítico regressa a Portugal

Lugre da pesca  do bacalhau volta a mãos nacionais após 35 anos fora.

Os entusiastas da "faina maior" vivem dias sobressaltados. Ainda com a emoção de acompanhar o restauro, em fase adiantada, do Santa Maria Manuela, assistem agora ao resgate de outro dos grandes símbolos do período áureo da pesca do bacalhau. Está previsto para as 08.00 de hoje a entrada na barra do Porto de Aveiro do Argus, mítico lugre bacalhoeiro que volta a Portugal 35 anos depois de ter deixado o País.

O antigo lugre motor de quatro mastros, ultimamente a navegar com o nome de Polynesia II, voltou a ter dono nacional, concretamente a empresa de pescas Pascoal & Filhos, da Gafanha da Nazaré, em Ílhavo. Foi adquirido, a 22 de Janeiro, durante um leilão, em Arruba, nas Caraíbas

O Argus é "irmão gémeo" de dois navios: o Creoula, hoje ao serviço da Marinha Portuguesa, e do Santa Maria Manuela, também propriedade da Pascoal, que o enviou para Espanha, onde recebe melhoramentos para voltar ao mar com fins científicos. "As convicções" da Pascoal visam "preservar o que de melhor tem o património náutico português", disse o administrador, Aníbal Paião.

"Está a falar-me de um milagre", respondeu João Barreirinha Vagos, 82 anos, quando informado do regresso do Argus onde passou uma década, primeiro como moço e depois ajudante de cozinheiro. "Trazia 14.000 quintais de bacalhau. Mais do que o Creoula ou o Santa Maria Manuela", recordou.

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