Baleia Azul. Ministério Público abriu três inquéritos sobre o jogo

Jogo online que terá feito vítimas em vários países nos últimos meses está a ser investigado pelas autoridades

O Ministério Público abriu três inquéritos relacionados com o jogo online Baleia Azul, que tem como objetivo levar os participantes a cometerem suicídio. As investigações foram iniciadas nas comarcas de Setúbal, Portalegre e Faro.

"O Ministério Público encontra-se, assim, atento à situação e, no âmbito dos inquéritos, não deixará de ponderar todas as medidas processuais adequadas previstas na lei do Cibercrime, incluindo a de bloqueio de 'links'", refere a informação da Procuradoria à Lusa.

O jogo que terá feito vítimas em vários países nos últimos meses chegou a Portugal e terá feito já as primeiras vítimas. Na semana passada foi revelado que dois adolescentes - uma rapariga de 18 anos e um rapaz de 15 anos - estão internados no hospital por ferimentos relacionados com o jogo.

Os dois jovens apresentavam cortes autoinfligidos que indicam que poderiam estar a cumprir os desafios do jogo que tem atraído vários. A rapariga, que se atirou de um viaduto para a linha férrea em Albufeira tinha a palavra "sim" cravada na coxa direita e "F57" na mão esquerda quando foi encontrada pelas autoridades. O rapaz, de Setúbal, tinha uma baleia desenhada no braço com um objeto cortante.

A terceira vítima será um jovem de Portalegre, segundo o Público.

O jogo Baleia Azul terá surgido na Rússia e desde então tem sido responsabilizado pelo suicídio de vários jovens em vários países, como Brasil, França, Inglaterra, Roménia e Espanha. Durante o jogo online, os participantes devem obedecer cegamente a um curador que os obriga a mutilarem-se e cumprirem tarefas como ouvir músicas psicadélicas, ver filmes de terror o dia inteiro e a não falar com ninguém.

Os participantes são obrigados a cumprir um desafio por dia e o último, o número 50, é cometer suicídio da forma que o curador indicar.

O jogo começará com o desafio de a pessoa escrever "F57" na palma da mão, com uma faca, enviando de seguida uma fotografia ao curador.

Os desafios incluem acordar às 04:20 e subir a um telhado ou uma ponte, cortar os lábios e falar com outros jogadores.

O curador pode ser acusado do crime de incentivo ao suicídio (artigo 135 do Código Penal) e punido com pena de prisão de um a cinco anos.