Autarca não ficou com "um cêntimo" da Cruz Vermelha

O fundador do Núcleo da Cruz Vermelha Portuguesa de Macieira de Rates, em Barcelos, garantiu hoje que nunca se apropriou "de um cêntimo que fosse" da instituição e classificou de "leviana" a acusação de peculato formulada pelo Ministério Público.

"Nunca fiquei com um cêntimo que fosse da Cruz Vermelha. Pelo contrário, dei muito de mim à instituição, dei muito trabalho, muito tempo, muita dedicação e muito dinheiro", disse à Lusa José Novais, que durante 18 anos foi presidente daquele núcleo.

José Novais, que é também presidente da Junta de Freguesia de Macieira de Rates e vice-presidente da concelhia do PSD de Barcelos, está acusado pelo Ministério Público de dois crimes de peculato, por alegadamente ter depositado na sua conta pessoal vários cheques que se destinavam a pagamentos da instituição.

O cheque com o valor mais elevado era de 22.500 euros.

"É totalmente falso que tenha depositado qualquer cheque na minha conta pessoal. Os depósitos eram feitos em contas da Cruz Vermelha, tituladas por mim e pelo tesoureiro. Se o Ministério Público tivesse tido o cuidado de me ouvir, eu teria explicado todos os movimentos. Mas não me ouviu e o resultado é uma acusação leviana, que não tem pés nem cabeça, sem qualquer fundamento", referiu José Novais.

O antigo dirigente lembrou que a Cruz Vermelha tinha "várias contas", face à "dinâmica verdadeiramente empresarial" que ganhou, com sete valências sociais, 20 viaturas e mais de 50 funcionários.

Disse que já requereu a abertura da instrução do processo e manifestou-se convicto de que o caso não chegará a julgamento.

"Mas o objetivo de quem pôs a acusação na praça pública está conseguido. Trata-se de um ato de terrorismo político puro, que visa apenas e só enxovalhar-me e destruir a minha imagem", acrescentou.

Novais abandonou a direção daquele núcleo da Cruz Vermelha em 2003, tendo sido posteriormente alvo de acusações de má gestão por parte dos novos responsáveis.

Em 2009, moveu um processo por difamação contra cinco elementos da direção que lhe sucedeu, um caso que começará a ser julgado a 17 de setembro.

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