Autarca de Viana pede "reunião urgente" ao ministro da Defesa por causa dos estaleiros

O presidente da Câmara de Viana do Castelo pediu hoje uma "reunião urgente" ao ministro da Defesa depois de confirmada a desistência do grupo brasileiro Rio Nave do negócio dos estaleiros locais.

O autarca José Maria Costa (PS) assumiu "profunda preocupação" com a situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), nomeadamente pela confirmação da saída dos brasileiros do processo de reprivatização.

"Solicitei hoje uma reunião urgente ao senhor ministro da Defesa para me inteirar do ponto de situação deste processo e qual o cenário alternativo pensado pelo Governo, caso o processo da reprivatização não resultar", explicou.

O grupo russo RSI Trading é agora o único na corrida à venda dos estaleiros, depois de os brasileiros da Rio Nave terem desistido do negócio, conforme avançou hoje à Lusa fonte governamental.

Segundo a fonte, o grupo brasileiro, um dos dois selecionados para a última fase da reprivatização dos ENVC, já comunicou a intenção de "não manter" a proposta pela empresa pública portuguesa, perante a "indefinição" de Bruxelas em autorizar a conclusão do negócio.

"Face a estas notícias, quero ser informado da posição do Governo perante o arrastar desta situação, se já estão esclarecidas as dúvidas colocadas pela Comissão Europeia e qual será o plano procedimento a seguir para os ENVC, se Bruxelas não aceitar os esclarecimentos", disse ainda José Maria Costa.

O autarca tinha já anunciado, na segunda-feira, a realização na próxima semana de uma reunião com o secretário de Estado da Defesa, Paulo Braga Lino, para conhecer se existem "cenários alternativos" pensados pelo Governo para a empresa.

Contudo, José Maria Costa admitiu hoje a necessidade de antecipar este encontro, tendo em conta "os últimos desenvolvimentos", reclamando que a reunião seja com o ministro José Pedro Aguiar-Branco.

A venda da empresa está suspensa desde dezembro devido a pedidos de esclarecimento apresentados pela Comissão Europeia ao Governo português, por dúvidas na atribuição de apoios estatais aos ENVC de 180 milhões de euros.

A propósito deste processo de investigação lançado por Bruxelas, elementos dos ministérios das Finanças e da Defesa reúnem-se hoje na Comissão Europeia.

O objetivo, precisou à Lusa fonte ligada ao processo de reprivatização, passa por convencer as autoridades comunitárias da necessidade de "concluir rapidamente" a venda da empresa e "salvaguardar os postos de trabalho".

A mesma fonte admitiu a "esperança" numa intervenção do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, nomeadamente "sensibilizando" os representantes dos vários países para esta operação.

Apesar deste impasse, o grupo russo RSI Trading já confirmou o prolongamento por mais um mês da validade da proposta, que entretanto expiraria, o mesmo não acontecendo, assim, com os brasileiros da Rio Nave.

"Estamos na corrida e vamos continuar. Mas esta incerteza não é nada positiva e vemos com preocupação a degradação das condições da empresa e da força anímica dos trabalhadores", explicou à Lusa Frederico Casal-Ribeiro, representante em Portugal dos interesses dos russos RSI Trading.

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