Autarca barricado nos CTT só saiu após cinco horas

O presidente da junta de freguesia de Carnide, em Lisboa, que desde o final da tarde de ontem se fechara na estação de correios da freguesia, manteve-se encerrado no local durante cinco horas e só saiu depois de ter recebido garantia formal de que o encerramento daquele espaço não ocorrerá e que hoje se reúne com a administração dos CTT.

O autarca tinha exigido que a administração dos CTT assumisse o compromisso de que a estação não encerrará para já. Paulo Quaresma e mais de uma dezena de utentes fecharam-se pelas 17:45 na estação, em protesto contra a decisão dos Correios de encerrar aquele serviço. Com eles estavam também os três funcionários da estação e quatro agentes da PSP. O grupo só deixou o espaço próximo das 22:45.

"Recebemos um telefonema dos serviços de segurança dos CTT, dando a garantia que a estação não seria fechada e que seremos recebidos [hoje], numa reunião, às 12.30", disse ao DN Paulo Quaresma.

"Esta é uma luta que tem mais ou menos dois anos. Houve uma primeira intenção da administração dos CTT de encerrar esta estação, tivemos uma reunião com eles e quer a junta quer os CTT assumiram compromisso de manter esta estação aberta até ao final de 2014", explicou.

Segundo o autarca da CDU, a junta cumpriu a sua parte, "divulgar e promover esta estação para que mais pessoas a utilizassem". Por isso, foi com surpresa que na segunda-feira foram informados da intenção dos CTT de fechar o posto. Entretanto tiveram a indicação de que ontem era o último dia e acabaram por se deslocar até ao local.

Na rua, população apoiava o protesto. "Só na Quinta da Luz moram três mil pessoas. Outros milhares moram nas proximidades. Isto é gravíssimo. As pessoas precisam deste serviço. Esta estação tem níveis de utilização muito elevados. Temos uma percentagem elevada de população idosa, com dificuldade de mobilidade, que precisa deste serviço", defendeu Paula Velasquez, presidente da associação de moradores da Quinta da Luz, onde fica a estação de correios.

Alexandra Mota Torres, moradora na zona há 23 anos e utilizadora do espaço, reforçou a necessidade da manutenção daquele espaço. Apesar de existir uma outra estação muito perto, no Centro Comercial Colombo. "Os tempos de espera são intermináveis e este é um serviço de proximidade. Estou indignada com a decisão de encerramento. Estou aqui pela defesa do serviço público", afirmou.

Segundo Rui Santos Silva, do sindicato dos trabalhadores dos correios, disse que a administração prevê encerrar 250 estações de correios e dispensar até 600 trabalhadores. "Por enquanto os funcionários são colocados noutras estações. Pelo menos até outubro, quando houver a privatização".

Em declarações à Lusa, fonte dos CTT confirmou a transferência dos serviços prestados pela estação de correio de Carnide para os postos mais próximos, mas negou que hoje tenha sido o último dia de funcionamento.