Aumento das receitas dos jogos sociais ajudou a acudir a muitos pedidos de ajuda

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) disse hoje que o aumento das receitas dos jogos sociais do Estado, em 2013, ajudou a acudir aos crescentes pedidos de ajuda que chegam à instituição.

Dados divulgados hoje pelo Departamento de Jogos SCML revelam que as vendas brutas dos jogos sociais do Estado atingiram o máximo histórico de 1.790 milhões de euros em 2013, um aumento de cerca de 3,5% relativamente a 2012.

No final da apresentação dos dados, o provedor da Santa Casa afirmou que "este aumento das receitas do jogo, juntamente com outras receitas da Santa Casa, nomeadamente na área do património, ajudaram a acorrer a muitas situações" que têm chegado à instituição de "modo crescente em tempos de crise".

Como razões para este crescimento das receitas em tempo de crise, que "normalmente leva a uma redução de apostas", Pedro Santana Lopes destacou o "salto considerável" da Lotaria Instantânea na preferência dos apostadores" e o combate ao jogo ilegal.

O combate ao jogo ilegal "surtiu efeito" através dos produtos que a Santa Casa "oferece e coloca à disposição dos apostadores", disse Santana Lopes, adiantando que foi constatado "um desvio" de apostadores desse jogo ilegal para os jogos explorados pela SCML.

Durante a apresentação dos resultados, o administrador do Departamento de Jogos, Fernando Paes Afonso, revelou que há casos de apreensões de jogo ilegal que são semelhantes à raspadinha, "o que significa que a Santa Casa está a frente do jogo ilegal".

Segundo Paes Afonso, em 2013 foram iniciados 241 processos de contraordenação por exploração de jogo ilegal similar ao explorado pela Santa Casa.

Alertou ainda que, muitas vezes ligado ao jogo ilegal, há outros tipos de criminalidade, como a criminalidade violenta e branqueamento de capitais.

"Quando estamos a falar em exploração de jogo não falamos só em receitas públicas, mas falamos também na proteção das famílias, dos consumidores e dos menores, e esses são vetores também muito importantes a ter em consideração no modelo de exploração de jogos, designadamente dos jogos sociais do Estado", sustentou.

Sobre as apostas que ficam por reclamar, Paes Afonso disse que já é "muito raro" que isso aconteça, mas ainda há alguns casos, como o de um apostador que não reclamou um prémio no Joker no valor de 13,6 milhões de euros.

"Trata-se de uma aposta feita no final de 2012 na Área Metropolitana do Porto", avançou Paes Afonso, lembrando que o prazo legal para reclamar o prazo é de 90 dias.

"Não é algo que nos deixe muito satisfeitos porque gostamos de entregar os prémios e gostamos que as pessoas o recebam", comentou.

Questionado sobre a intenção do Governo de legislar a exploração e a prática de jogos online, Santana Lopes reiterou que a SCML está "inteiramente" preparada para assumir a responsabilidade dessas apostas e as explorar "em exclusivo".

"O Departamento de Jogos e a Santa Casa estão preparados para fazerem a reestruturação da sua oferta da grelha de jogos que está à disposição dos apostadores mal o Governo e o Parlamento tomem as decisões que nós aguardamos", sublinhou.

"O Estado é que tem de ponderar" os resultados que hoje apresentámos e decidir se as receitas de exploração de jogos devem ter um retorno social praticamente absoluto como os da Santa Casa ou se essas receitas devem apostar num regime em que os seus lucros vão para privados.

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