Até na hora de remover cartazes as máquinas fazem diferença

Marcelo Rebelo de Sousa recusou-os, Marisa Matias e Edgar Silva contaram com a ajuda dos partidos. Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém ainda aguardam pela remoção

Já se passou um mês desde as eleições presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa está prestes a tomar posse - a cerimónia decorre no dia 9 de março -, as equipas dos diversos candidatos já desmobilizaram mas, nas ruas do país, continuam bem presentes os vestígios do período eleitoral. Ou, dito de outra forma, os outdoors com que "chocávamos" todos os dias durante a pré-campanha e a campanha.

De acordo com a lei, "compete às câmaras municipais, ouvidos os interessados, definir os prazos e as condições de remoção dos meios de propaganda utilizados", ainda que a remoção de cartazes, outdoors, múpis e demais meios de promoção das candidaturas seja "da responsabilidade das entidades que os tiverem instalado ou resultem identificáveis das mensagens expostas".

Ou seja, dos próprios candidatos à presidência, respetivo staff e, se for caso disso, das empresas que tenham contratado para fazer as afixações. O custo dessa operação não está contabilizado por parte dos candidatos, mas para quem tem partido por trás será bem menos dispendioso.

Ao abrigo da flexibilidade da lei - e até a contragosto de alguns candidatos à sucessão de Cavaco Silva - não é difícil vislumbrarmos um pouco por todo o país tais meios de propaganda. E, nesse particular, também as máquinas partidárias fazem a diferença.

Que o digam António Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém Roseira - Marcelo não usou qualquer suporte de propaganda exterior -, que estão por "conta própria" - ao contrário de Marisa Matias ou de Edgar Silva, apoiados, respetivamente, por BE e PCP.

Um elemento do staff de Marisa Matias explicou ao DN que os cartazes com o rosto da eurodeputada bloquista "começaram a ser retirados logo na semana seguinte às eleições" por uma empresa contratada para o efeito e que "os outdoors já foram quase todos substituídos" por outros do próprio BE (no caso sobre o Novo Banco). Quanto aos múpis, foram os militantes, as estruturas locais, a colocá-los e também serão eles, aos poucos, a retirá-los.

Já o gabinete de imprensa do PCP refere que "as estruturas de propaganda utilizadas para a mensagem da candidatura de Edgar Silva estão, como se pode observar, a receber novos cartazes dirigidos à afirmação do PCP e das soluções que defende para o país, e a uma primeira divulgação da Festa do Avante!".

Diferente é a situação de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém. O antigo reitor da Universidade de Lisboa, que ficou em segundo lugar nas presidenciais, nota ao DN que já foram enviados "pedidos com grande força" para que os outdoors "sejam removidos com urgência" e que o contrato com a empresa responsável incluía a remoção logo que estivesse concluído o ato eleitoral.

Já o mandatário financeiro da candidatura da antiga ministra da Saúde, José Manuel Correia, explica que a empresa contratada "já os está a desmontar". No entanto, realça que pode ainda "demorar alguns dias".

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