Arouca rejeita fecho de escola com mais de 40 alunos

A Câmara de Arouca anunciou hoje não aceitar a decisão do Ministério da Educação de encerrar a Escola de Bacelo, revelando que tem mais de 40 alunos e não se justificar a despesa que o fecho implicaria em transportes.

O presidente da autarquia, José Artur Neves, mostrou-se "surpreendido" com a inclusão dessa escola na lista das 311 que já devem estar a funcionar no próximo ano letivo.

"A Câmara não aceitar fechar a escola", disse José Artur Neves, acrescentando que o estabelecimento de ensino "tem mais de 40 alunos e, considerando que não há transportes públicos para cobrir os cerca de dez quilómetros entre a freguesia de Tropeço e a de Rossas, isso implicaria uma despesa com serviços de transportes especiais que não é comportável nesta altura.

Para o autarca, se a ideia do Governo é cortar no salário dos professores e dos auxiliares e pôr a Câmara a pagar o transporte das crianças de um lado para o outro, pode perder essa ideia".

José Artur Neves admitiu que, ao longo dos próximos anos, a quebra na taxa local de natalidade possa reduzir o número de alunos inscritos em Bacelo, mas defendeu que, para já, "mais de 40 crianças é um número que justifica plenamente o funcionamento da escola".

"Quando houver lá 20 alunos ou menos, compreende-se, mas nas circunstâncias atuais esta decisão parece-nos precipitada e extemporânea", frisou.

A Escola de Bacelo está atualmente inativa, dado que alunos, docentes e auxiliares ocupam, provisoriamente, há dois anos, a Escola de S. João, também na freguesia de Tropeço.

"Mas isso é só até obtermos financiamento para a remodelação que temos em projeto para a Escola de Bacelo, que é a mais ampla e passaria depois a ser a única a funcionar na freguesia", esclareceu José Artur Neves.

Segundo o presidente da Câmara de Arouca, a escola de S. João é que estava previsto fechar, "porque é mais pequena, tem menos condições e passaria a integrar a de Bacelo" quando as obras estivessem concluídas.

O autarca assegurou que, em termos administrativos, a escola de Bacelo continua a funcionar e que toda a estratégia relativa à sua mudança provisória e ao modelo educativo a adotar na freguesia após as obras de remodelação "foi concertada com a Junta de Freguesia local e tinha o apoio da população".

O Ministério da Educação e Ciência anunciou no sábado que vai fechar 311 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e integrá-las em centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino, no âmbito do processo de reorganização da rede escolar.

"O novo ano letivo terá início em infraestruturas com recursos que oferecem melhores condições para o sucesso escolar. [Os alunos] estarão integrados em turmas compostas por colegas da mesma idade, terão acesso a recursos mais variados, como bibliotecas e recintos apropriados a atividades físicas e participação em ofertas de escola mais diversificadas", referiu a tutela em comunicado.

Segundo a nota, a Secretaria de Estado do Ensino e Administração Escolar concluiu na sexta-feira mais uma fase da reorganização da rede escolar, "processo iniciado há cerca de 10 anos e continuado por este Governo desde o ano letivo de 2011/2012, com bom senso e um olhar particular relativamente às características de contexto".

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