Arlindo de Carvalho disponível para colaborar com a Justiça

O advogado João Nabais, que defende Arlindo de Carvalho no caso BPN, disse hoje que o seu cliente está disponível para colaborar com a Justiça, embora tenha consciência de que "nunca praticou nenhum acto criminalmente censurável".

Acompanhado de João Nabais, o ex-ministro da Saúde Arlindo de Carvalho entrou hoje cerca das 14:00 no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), no Parque das Nações, em Lisboa, para ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre no âmbito do caso BPN.

João Nabais disse aos jornalistas, à entrada do TCIC, que é mandatário neste processo tanto de Arlindo de Carvalho como de José Neto, ambos com ligações à sociedade Pousa Flores.

Arlindo de Carvalho e dois administradores da sociedade de gestão e exploração imobiliária Pousa Flores, à qual o ex-ministro da Saúde tem ligações, elevam para cinco o número de arguidos no inquérito ao caso BPN. Os outros dois são Oliveira e Costa, ex-presidente da instituição bancária, e Dias Loureiro, ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha o banco.

Segundo notícias recentes, a empresa Pousa Flores comprou, com crédito do BPN, activos ao grupo Ricardo Oliveira, no valor de cerca de 75 milhões de euros, de 2005 a 2007, numa operação em que o banco assumiu o compromisso de comprar esses activos e que terá prejudicado financeiramente a instituição bancária.

Quinta e sexta-feira da semana passada foram realizadas buscas às casas e aos escritórios de Arlindo de Carvalho e Dias Loureiro, respectivamente, no âmbito das investigações ao "caso BPN", relacionado com gestão danosa e compra ruinosa de empresas, terrenos e acções sobrevaloriozados, através de crédito concedido pelo BPN.

João Nabais confirmou que Arlindo de Carvalho foi constituído arguido e que foi notificado na quinta-feira na altura das buscas para prestar esclarecimentos ao juiz Carlos Alexandre.

Confrontado pelos jornalistas sobre que crimes estão em causa, João Nabais escusou-se a responder, limitando-se a dizer que Arlindo de Carvalho reagiu com naturalidade ao facto de ser constituído arguido, "uma coisa normal da vida", apesar de ser uma "situação não simpática para ninguém".

"Obviamente que quem não deve não teme", realçou João Nabais, frisando também que Arlindo de Carvalho está disponível para colaborar com a Justiça.

Arlindo de Carvalho tem consciência de que "nunca praticou nenhum acto criminalmente censurável", afirmou também o advogado João Nabais, que disse prever a aplicação de medidas de coacção para os seus clientes neste processo.

O "caso BPN" está a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), chefiado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida.

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