Arguidos portugueses são vítimas "colaterais"

Os advogados dos portugueses alegadamente envolvidos no tráfico de armas para uma fação do Exército Republicano Irlandês afirmaram que os seus constituintes são vítimas "colaterais" de outro processo, recusando qualquer ligação ao grupo.

Em causa está a compra de pistolas de alarme que foram posteriormente modificadas para alegadamente serem usadas na Irlanda por uma fação dissidente do IRA (Exército Republicano Irlandês), investigação que culminou na detenção, em julho, no Algarve, de quatro pessoas, e na apreensão de dez pistolas e 250 munições.

Um dos arguidos portugueses, Paulo Guerreiro, empresário da Construção Civil de 40 anos, está em prisão preventiva, tendo assumido, na primeira sessão do julgamento, no início de novembro, que tinha arranjado armas de alarme que foram modificadas.

O outro português, António Mestre, de 39 anos, cortador de carnes, encontra-se em liberdade e foi hoje ouvido pelo Tribunal de Olhão durante a segunda sessão do julgamento.

Em declarações aos jornalistas, o advogado de Paulo Guerreiro afirmou acreditar que o seu constituinte "foi levado" neste processo, sublinhando que duvida de que o grupo se trate efetivamente de uma organização.

"Penso que esta acusação teria que ver com uma investigação num processo colateral a este", afirmou Fernando Cabrita à margem da sessão, acrescentando que o processo ter-se-á desviado, provocando "vítimas colaterais".

Durante a manhã, o tribunal ouviu o arguido português que está em liberdade, uma inspetora da PJ que investigou o caso e cinco testemunhas de defesa de Paulo Guerreiro, que foram unânimes em descrever o arguido como uma pessoa bondosa e ingénua.

Também a advogada de António Mestre frisou aos jornalistas que o seu constituinte "não tem absolutamente nada a ver" com o processo, no qual caiu "de paraquedas".

Segundo Manuela Reis, o seu arguido foi envolvido "por coincidência" no processo por ter sido apanhado com armas ilegais, cuja venda lhe rendeu cerca de 600 euros.

"Se há ligação a entidades alegadamente terroristas, não tem nada a ver com o nosso constituinte, que caiu aqui de paraquedas e se viu enredado neste processo", sublinhou.

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