Arcebispo do Luxemburgo denuncia marginalização dos portugueses no seu país

O arcebispo do Luxemburgo, Jean Claude Hollerich, denunciou hoje a existência de uma marginalização social, educacional e política da comunidade portuguesa que reside naquele Estado.

O prelado do Grão-Ducado sublinhou hoje, em Fátima, no início da peregrinação a que preside, que os portugueses não têm acesso à educação que desejam, têm dificuldades em obter a dupla nacionalidade e não contam, por isso, para os partidos ou para as eleições.

"No Luxemburgo, a alfabetização é feita em alemão desde o primeiro ano da escola primária, o que constitui uma desvantagem enorme para todas as crianças portuguesas, uma vez que elas têm contacto com duas línguas faladas: o português e o luxemburguês", explicou.

"Quando vejo a estatística do liceu clássico da educação secundária no Luxemburgo vemos poucos portugueses. A maior parte está no [ensino] profissional", indicou.

Razão pela qual, reforçou, "muitas dessas crianças e jovens não têm acesso à educação que deveriam ter", o que constitui "uma grande perda para essas crianças e para esses jovens, mas também para a sociedade luxemburguesa, que deveria aproveitar a [sua] inteligência e criatividade".

Para o arcebispo, há a registar dificuldades para os portugueses obterem a dupla nacionalidade, sendo que, sem esse estatuto, "não contam para as eleições", sustentou.

"Eles não são tidos em conta nas promessas dos partidos políticos, eles ficam à margem da sociedade", concluiu.

A peregrinação internacional de agosto, nos dias 12 e 13, integra a Peregrinação do Migrante e é presidida pelo arcebispo do Luxemburgo, tendo como tema "Mostrai-nos o Vosso rosto".

Até ao dia 18 de agosto, a Obra Católica Portuguesa das Migrações organismo da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, leva a efeito a 41.ª Semana Nacional das Migrações, este ano com o lema "Migrações: Peregrinação de Fé e Esperança", cujo ponto alto é vivido em Fátima nos dias 12 e 13.

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