Antiga cadeia de Peniche acolheu 2500 presos

Uma investigação da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) conclui que a cadeia política do Forte de Peniche acolheu ao todo cerca de 2500 presos ao longo de 40 anos, disse hoje a responsável do estudo.

Olga Macedo, investigadora da URAP, disse à agência Lusa que no último ano efetuou uma investigação no Registo Geral de Presos da PIDE, depositado na Torre do Tombo, onde consultou "30 mil biografias e fez o levantamento de todos os presos que passaram por Peniche, cerca de 2500".

Os resultados da investigação vão ser apresentados na quinta-feira na Fortaleza de Peniche, no âmbito do programa comemorativo do 25 de abril da câmara municipal.

A investigadora adiantou que na década de 1930 do século passado, correspondentes aos primeiros anos da cadeia política, os presos eram na sua maioria "pessoas do povo, desde serralheiros, mecânicos, pedreiros, sem instrução".

Mas, a partir de 1940, "começaram a aparecer estudantes, militares e pessoas com formação superior, como advogados e médicos", o que a leva a concluir que, nessa fase, uma classe mais instruída começou a lutar "de forma organizada" contra a ditadura a favor da liberdade, passando a ser alvos da antiga polícia política.

Além disso, "muitos presos preocuparam-se com a sua educação e se, na primeira vez que foram presos, eram analfabetos, à quarta ou quinta vez já entravam com um curso superior".

A investigação permitiu também concluir que, durante 40 anos, foram concretizadas seis fugas, entre as quais a de 1954 protagonizada por Dias Lourenço e a de 1960 com Álvaro Cunhal e mais nove companheiros.

As seis fugas envolveram militantes do PCP, que eram "controlados" pela PIDE.

Para Olga Macedo, houve muito mais tentativas que, só não foram concretizadas devido às regras de segurança máxima e à grande mobilidade de presos entre as cadeias de Peniche e Caxias, tendo em conta os registos das entradas e saídas.

A investigação para levantamento dos nomes de todos os presos que passaram por Peniche foi desenvolvida com o objetivo de vir a criar um memorial na Fortaleza de Peniche, com a listagem dos nomes.

"Queremos preservar a memória com a concretização deste memorial, como um tributo àqueles que aí estiveram presos", afirmou à Lusa o presidente da câmara de Peniche, António José Correia (CDU), que tenciona inaugurar esse monumento nas comemorações dos 40 anos do 25 de abril, no próximo ano.

A presidente da URAP, Marília Villaverde Cabral, considerou que o trabalho é também um "contributo para a História do país".

A autarquia vai colocar a lista dos nomes em exposição pública, para que seja enriquecida e conferida pelas famílias dos respetivos presos.

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