ANF: Relatório das Finanças não diz nada de novo

O relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) sobre a fraude nos medicamentos "não diz nada de novo", disse o presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, à Agência Lusa.

"Este relatório não diz nada de novo. A própria associação já tem denunciado a desorganização que existe no Ministério da Saúde relativamente ao controlo de receituário e à própria emissão da receita médica", defendeu, comentando dados divulgados em relatórios da Inspeção-Geral das Finanças e da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, citados hoje na comunicação social.

João Cordeiro estabeleceu uma comparação entre as dificuldades sentidas no último recenseamento eleitoral e o que se passa com o registo dos utentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Gostava de saber qual é o número de beneficiários do SNS que estão ativos. De certeza que são para aí uns 11 milhões. Gostava de saber quais são os médicos que estão nos ficheiros, quais são as suas especialidades", indicou, prosseguindo: "gostava que o Ministério da Saúde me dissesse quanto é que cada um dos beneficiários do SNS gastou em medicamentos, em análises, em despesa hospitalar".

De acordo com o presidente da ANF, "não existem números de nada" e gastam-se "milhões e milhões de euros sem o mínimo de controlo".

Para João Cordeiro, "o que tem que haver seguramente é um sistema eficaz e rigoroso de controlo da despesa de medicamentos, como da despesa hospitalar, como dos meios de diagnóstico, de toda a despesa do estado".

O presidente da ANF sublinhou que há seis anos foi implementada a receita eletrónica no distrito de Portalegre, com a qual, ao fim de um ano e meio, 60 por cento de todo o receituário era emitido, dispensado e faturado eletronicamente.

"O que esteve em funcionamento em Portalegre era desde a prescrição até à faturação, tudo era feito eletronicamente e aí, como é óbvio, a fraude era muito mais complicada e muito mais difícil", explicou.

Segundo João Cordeiro, esta experiência, que exigiu um trabalho muito exigente, quer para a área pública, quer para a área privada, exigiu "investimentos significativos" e "foi depois surpreendentemente suspensa, anulada" pelo então ministro Correia de Campos.

O presidente da ANF referiu-se também ao trabalho do Centro de Controlo da Maia, cuja instalação "terá custado cerca de 36 milhões de euros" e que dará emprego a cerca de 200 funcionários.

"A informação que sai do centro de controlo da Maia depois pelos vistos não é analisada não há consequências sobre essa informação, o que também é uma coisa do outro mundo", assinalou.

"Tudo nesta matéria é preocupante e o novo ministro da Saúde tem muito trabalho pela frente", concluiu João Cordeiro.

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