Amiga teve mau pressentimento quando "Dona Lina" desapareceu

A amiga portuguesa e confidente de Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro no Brasil disse à Lusa que teve um mau pressentimento e um grande pesadelo na noite do desaparecimento da companheira e ex-secretária do milionário Lúcio Tomé Feteira.

"Quando eram 22:30, estava a dormir e acordei gritando. Eu a vi gritando e pedindo socorro. Alguma coisa aconteceu", afirmou à Lusa Maria Alcina, que mantinha grandes laços de amizade há mais de 30 anos com "Dona Lina", como carinhosamente chamava a amiga.

A grande amizade começou quando as duas se conheceram no Rio de Janeiro nos shows de Fado que Maria Alcina promovia. A fadista portuguesa está a viver no Brasil desde a década de 50 e é tida como referência da música portuguesa no país.

Segundo contou Alcina, Rosalina e o empresário Tomé Feteira iam com muita frequência ao Brasil. Mesmo após a morte do milionário, em 2000, continuavam a ir, pois "Dona Lina sempre tinha de olhar pelos negócios e a herança" que depois entrou em litígio.

Mulher de poucas amizades, Rosalina era "uma pessoa muito só, simples, não era de se exibir", descreveu a amiga.

"Telefonava-me três vezes por semana, às vezes muito triste, porque estava sozinha e estavam criando-lhe muitos problemas por causa da herança. Ela só falava que estava a ter problemas pelo que estava nos tribunais. Eu procurava dizer palavras de carinho e de apoio", lembrou a fadista em declarações à Lusa.

"Quando ela veio para cá dessa última vez (em Dezembro de 2009), não veio fugindo de ninguém, não veio se escondendo de ninguém. Ela sempre vinha nessa época", defendeu.

No dia 6 Dezembro, um domingo, Alcina conta que comemorou os seus 50 anos de carreira no Arouca Barra Club, no Rio, e que "Dona Lina" esteve presente. As duas haviam combinado de almoçar juntas naquela semana, no dia 9 de Dezembro

"Tínhamos por hábito falar três ou quatro vezes por dia", segundo Alcina que teve uma conversa com Rosalina no próprio dia 7, data do seu desaparecimento.

"Ela me telefonou na segunda feira de manhã e disse 'Olha Maria Alcina, vou sair resolver uns problemas'. Fiquei de ligar para ela às 13:00. Liguei, mas já não consegui falar com ela. Fui ligando o dia todo e nada. Durante a noite nada. A Dona Lina não ficava sem falar connosco", detalhou.

Nos dias que se seguiram do desaparecimento de Rosalina, conhecidos da artista percorreram hospitais e o necrotério da cidade. "As minhas filhas começaram a distribuir cartazes e nada".

Alcina contactou autoridades locais até que o corpo da amiga foi encontrado em Cabo Frio. "O corpo foi só reconhecido pelas impressões digitais. Eu não me conformava que ela estivesse morta", disse.

Foi um pressentimento, relata Alcina. "Eu não estava tranquila, o medo que Dona Lina tinha era da violência brasileira. E, no entanto, não foi essa violência que a matou. Eu não sei quem foi", admitiu.

O que lhe "está a doer", afirmou Alcina, "é que ela não se pode defender e estão enxovalhando muito como amante" e isso "dói-lhe".

Alcina acompanhou de perto o sofrimento da amiga na disputa judicial em torno da herança de mais de 35 milhões de euros do empresário português Lúcio Tomé Feteira.

"Ela queixava-se. Dizia que não queria um tostão para ela, o que ela queria e o que o senhor Feteira deixou e queria que fosse assim, era uma fundação em Portugal e outra no Brasil para ajudar às pessoas idosas e necessitadas", ressaltou Alcina.

No testamento feito em 1999, quase dois anos antes da morte de Feteira, ele reservou 15 por cento dos bens que podia repartir para Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro, com quem vivera um romance de 32 anos.

E a maior parte, oitenta por cento foi deixado para a construção da Fundação Família Feteira.

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