Alunos manifestam-se 5.ª feira por escola pública gratuita

Alunos de mais de cem escolas manifestam-se na quinta-feira em todo o país para exigir mais financiamento para a educação, denunciando situações de salas de aulas sobrelotadas e secundárias sem espaço para acolher todos os seus estudantes.

Alunos do ensino básico e secundário marcaram um "Dia Nacional de Luta" para sair à rua e exigir o "direito de estudar numa escola pública, gratuita e de qualidade".

A ideia partiu de duas associações de estudantes (AE) tendo "aderido pelo menos uma centena de escolas", contou à Lusa Miguel Mestre, vice-presidente da AE da Secundária Santa Maria, em Sintra, uma das promotoras da iniciativa.

Numa carta assinada por 94 AE, os alunos prometeram "denunciar todos os ataques feitos ao ensino público pelo Governo PSD/CDS-PP" e as dificuldades por que passam.

"Certos estudantes, que vivem longe da escola, têm de pagar entre 70 a 80 euros pelo passe escolar. Alguns destes alunos tinham apoio social escolar e, por isso, só pagavam metade desse valor, mas agora têm de o pagar na totalidade", exemplificou Miguel Mestre.

O representante da escola de Sintra disse ainda que faltam funcionários e docentes e que há excesso de alunos por turma: "Aqui no Santa Maria, há alunos do secundário que têm de ir ter aulas para uma escola básica porque não há espaço físico na escola para albergar os 2700 alunos", denunciou, referindo-se a duas turmas da área de Humanidades e duas de Economia.

Os alunos lamentam que existam estabelecimentos degradados e outros que, apesar de terem sido recentemente intervencionados pelo Parque Escolar, já tenham problemas na construção.

O apelo para que os alunos se manifestem nas escolas e nas ruas das suas cidades foi lançado pela Associação de Estudantes da Escola Secundária Santa Maria, em Sintra, mas também pela escola António Sérgio, em Vila Nova de Gaia.

Os alunos das escolas de Sintra, Cacém, Rio de Mouro e Mem Martins vão reunir-se em frente à secundária Santa Maria, e depois seguem até ao largo do município.

As AE das outras escolas estão a organizar o protesto tendo em conta o número de participantes, disponibilidade de deslocação e proximidade com o governo local ou com a educação, explicou à Lusa Miguel Mestre.

Para os estudantes, os cortes de cerca de 500 milhões de euros no ensino básico e secundário previstos no Orçamento do Estado para 2014 colocam em causa a qualidade da educação.

Na carta de apelo à participação no "Dia Nacional de Luta" lembram ainda o "elevado número de alunos do ensino profissional que deixaram de receber o subsídio de alimentação e transportes".

"Contra a destruição da educação, dia 13 de março estaremos na rua!", conclui o texto, no qual os alunos prometem denunciar "todos os ataques feitos ao ensino público por parte deste governo PSD/CDS-PP, e reivindicar, deste modo, "mais financiamento para a educação."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG