Alqueva faz descargas para controlar volume de água

A barragem de Alqueva iniciou no domingo à noite uma operação de descargas para controlar o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento, informou hoje a empresa gestora do projeto.

As descargas controladas, através de dois descarregadores, um de meio fundo e um de superfície, começaram às 23:00 de domingo e visam "controlar o volume de água armazenada", explica a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), em comunicado enviado à agência Lusa.

O volume de água armazenada na albufeira, segundo a EDIA, atingiu a cota de 151,98 metros, próximo da cota máxima de 152 metros.

Em consequência destas descargas, a barragem de Pedrógão, 23 quilómetros a jusante de Alqueva, também está a descarregar, o que "leva a um aumento de caudal" do rio Guadiana, circunstância já comunicada aos serviços de proteção civil, alerta a EDIA.

A empresa aconselha os utilizadores do Guadiana ou das suas margens, nomeadamente pescadores e pastores, a terem "atenção" ao "aumento de caudal do rio".

Atualmente, a barragem de Alqueva está a descarregar um total de 2.400 metros cúbicos por segundo (m3/s) de água, 800 m3/s para as duas centrais hidroelétricas e 1.600 m3/s para os dois descarregadores, "registando-se uma tendência para uma ligeira descida do nível de armazenamento".

A empresa referiu que as descargas controladas na barragem "irão manter-se apenas durante o tempo necessário ao controlo da cota" da albufeira do Alqueva.

O Alqueva é o maior lago artificial da Europa e tem uma área inundável de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1.100 quilómetros de margens.

Segundo a EDIA, a dimensão da albufeira é compatível com o primeiro grande objetivo do Alqueva, ou seja, "criar uma reserva estratégica de água, que possa suprir todas as necessidades" do projeto nas valências de regadio, abastecimento público e industrial e produção de energia "durante pelo menos três anos consecutivos de seca".

A albufeira atingiu, pela primeira vez, a capacidade máxima a 12 de janeiro de 2010, quase oito anos após ter começado a encher, já que as comportas tinham sido fechadas a 08 de fevereiro de 2002.

A conclusão do projeto, num total de cerca de 120 mil hectares de regadio, inicialmente prevista para 2025, foi revista pelo anterior Governo PS para 2015 e, depois, antecipada para este ano, o que o atual Executivo PSD-CDS/PP já disse não ser possível.

Em abril de 2012, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assumiu o compromisso do Governo de concluir as obras em 2015.

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