Marvão Pereira: "É importante criar um Plano Nacional de Infraestruturas"

Professor deu o exemplo de Ontário, Canadá, onde "há um ministério que não faz mais nada senão infraestruturas"

Portugal não deve perder mais tempo e aproveitar a recuperação económica para voltar a pensar o que quer para o futuro. Quem o diz é Alfredo Marvão Pereira, professor de economia no College of William e Mary, nos EUA, e orador principal na Conferência "Infraestruturas", que debate as grandes áreas de desenvolvimento do País, e arranca as comemorações do 153º aniversário do Diário de Notícias.

"Em Ontário, no Canadá, estão muito bem servidos de tudo. Mas têm um ministério que não faz mais nada senão infraestruturas. E têm um grupo de trabalho financiado ao nível ministerial que decidiu fazer uma conferência muito grande com economistas de todo o mundo para as pessoas pensarem sobre a questão: 'o que é que a província precisa para os próximos dez anos?' É esse pensamento estratégico que precisamos", afirmou o economista esta segunda-feira, lembrando que, "é importante criar um Plano Nacional de Infraestruturas".

Marvão Pereira estima que o investimento nacional em infraestruturas em Portugal rondou os 4% do PIB/ano entre os anos 80 e a primeira década de 2000, mas lembra que o modelo para o futuro terá de ser diferente. "Temos de pensar onde vamos pôr o alvo e praticar muito para acertar", detalhou.

O que parecem ser os cavalos certos? "Há três ou quatro áreas onde faz sentido do ponto de vista macro e orçamental investir: ferroviária, portuária e infraestruturas de saúde. E menos, mas também, educação", estima o keynote speaker, sublinhando que é um mito dizer que as infraestruturas foram causadoras da crise. "Se foram alguma coisa foi serem vitimas silenciosas da crise. Indiscutivelmente, nós estamos agora numa posição, num período do tempo particularmente importante, para decidir o que queremos fazer no futuro. Começamos a ter uma pequena folga orçamental. Não estamos já em perigo de vida, mas também não estamos saudáveis. Temos de decidir o que vamos fazer para sermos saudáveis", salientou.

Como fazer? "As análises de custo benefício são importantes. Mas não significa que os projetos individuais sejam todos importantes", detalhou, por fim, o professor português.

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