Alemães deduziam dinheiro da corrupção nos impostos

Depoimento de gestor da empresa que vendeu os dois submarinos a Portugal revela como eram os esquemas de corrupção nos negócios militares

"Quando me dizem que fizeram um negócio sem recorrer a aplicações úteis, eu não acredito". A declaração é de Erbsloh, um quadro da empresa Ferrostaal, que integrou o consórcio que vendeu dois submarinos à Marinha portuguesa, e consta do processo alemão. O gestor clarificou que as tais "aplicações úteis" eram o termo utilizado para os subornos. Gastos que, até 1999, "eram dedutíveis nos impostos e encarados com absoluta normalidade". Ouvido como testemunha na Alemanha, Erbsloh acrescentou que, depois daquela data, a empresa começou a utilizar "consultores" de forma a fazer chegar o dinheiro aos governantes dos países que abriam concursos para a aquisição de material militar.

O depoimento do gestor alemão foi abundantemente citado no despacho de arquivamento do processo que correu em Portugal, recentemente arquivado pelo Ministério Público. O quadro da Ferrostaal explicou aos procuradores de Munique que a estratégia da empresa passava por contratar consultores, ao abrigo de contratos legítimos, que tinham como missão funcionar como "intermediários": "Dos honorários que recebe, o consultor canaliza uma parte para os decisores, eventualmente para o governo", explicou a testemunha.

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