Aguiar Branco: Passos tem sido de uma "coerência lapidar"

O presidente do PSD tem sido de uma "coerência lapidar", ao manter-se indisponível para viabilizar um mau Orçamento de Estado, disse hoje à Agência Lusa José Pedro Aguiar Branco.

Entrevistado pela Lusa na Cidade da Praia, onde participou, na qualidade de jurista, numa iniciativa do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), o dirigente do PSD sublinhou que a actuação de Passos Coelho tem sido correta em todo o processo, recusando a ideia de recuo face ao orçamento.

"Tenho acompanhado o que o presidente do partido tem dito e acho que tem sido de uma coerência lapidar. O que ele disse, desde o início, é que não está disponível para a viabilização de um mau orçamento", afirmou, lembrando que, dentro do PSD, o interesse nacional se sobrepõe ao partidário, razão pela qual a questão de "recuo" nem sequer se põe.

"Tenho a certeza absoluta que isso os portugueses exigem do PSD. O presidente do PSD disse coerentemente que não está disponível para aceitar um contrato de adesão. O governo, que não é maioritário, tem de ter a humildade democrática de vir pedir desculpa aos portugueses do que fez mal", acrescentou.

Aguiar Branco disse que a dimensão do combate à despesa tem sido "dramático para Portugal", lembrando que a do Estado consome mais de 50 por cento da riqueza nacional e que o endividamento externo é "aflitivo".

"Agora, temos todos de saber porquê, se o governo faltou à verdade ou não. Não é a crise internacional mas sim da responsabilidade do PS. Aquilo que tem sido sempre dito pelo PSD é que a aposta num orçamento é uma aposta numa maior capacidade de reduzir a despesa. Os portugueses já foram suficientemente castigados pelo PS e pelo Governo nos últimos anos", referiu.

"Os portugueses não entenderiam agora que o PSD não exigisse ao Governo e ao PS para dizer o que correu mal. Porque é que em maio as condições eram umas e agora não. O PS não se pode furtar a isso", acrescentou.

"O PS tem de prestar contas, de dizer porquê, o governo tem de dizer o que correu mal, o que não aconteceu e devia ter acontecido e de quem é essa responsabilidade. Tenho a certeza absoluta que isso os portugueses exigem do PSD", frisou, admitindo, porém, ser "desejável" que o OE seja viabilizado.

Aguiar Branco adiantou, todavia, que o PSD terá de analisar em concreto o Orçamento de Estado para saber se não há qualquer diferença entre o que o Governo anuncia e depois, na prática, acontece.

"Essa diferença é do tamanho de um oceano", referiu, defendendo que o executivo de Sócrates deveria ter apresentado o OE "mais cedo".

"Estamos escaldados com a diferença que vai entre o que o governo anuncia e o que depois acontece. Essa realidade vai determinar o voto do PSD, que analisará a questão na próxima reunião do Conselho Nacional", a realizar terça-feira, disse.

Aguiar Branco salientou, por outro lado, que a questão de revisão constitucional foi "aproveitada" pelo PS e pelo Governo para "desviar as atenções" das medidas que foi obrigado a tomar e que tal não afectou o PSD, que está a manter uma "linha interna de coesão".

"É importante que o PSD mantenha a sua linha interna de coesão. Qualquer coisa que a afecte é beneficiar o infractor, o PS e o Governo, e prejudicar os portugueses", afirmou, admitindo que, quando foi líder parlamentar, defendeu que a revisão constitucional deveria ser analisada depois das presidenciais.

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