Águeda com ruas alagadas e moradores retidos em casa

A cidade de Águeda está com ruas alagadas e alguns moradores estão retidos em casa, mas não há pessoas em risco, disse à Lusa Jorge Almeida, da proteção civil municipal.

"Temos uma situação de cheia desde ontem [quinta-feira], à noite. Durante a noite as águas desceram um pouco, mas já voltou a subir porque a madrugada foi muito chuvosa. Não há nenhuma situação que coloque pessoas em risco. Na zona Baixa da cidade temos algumas ruas já inundadas, com cerca de meio metro de altura. Há estabelecimentos comerciais afetados e um ou outro morador retido em casa e estamos a promover que chegue lá a alimentação e outros bens", descreveu.

Segundo Jorge Almeida, que é vice-presidente da Câmara de Águeda, a situação é agravada pela obra que está a decorrer na ponte de Águeda, da responsabilidade das Estradas de Portugal.

"Os cilindros metálicos de suporte à construção do novo tabuleiro estão a funcionar como barragem e a dificultar ainda mais. Uma das grandes operações que estamos a fazer permanentemente é retirar o que podemos de detritos que vêm rio abaixo, mas não conseguimos chegar ao meio do rio e acumulam-se ali lenhas, funcionando como um açude, o que aumenta a altura da água a montante, com repercussões na cidade. Se não fossem as obras na ponte, seria uma cheia normal", conclui.

Quanto às medidas anunciadas para controlar as cheias que ocorrem frequentemente em Águeda, nomeadamente o desvio do caudal para um canal secundário e a substituição de taludes por pilares, com o prolongamento do tabuleiro de duas pontes, para que deixem de funcionar como barreiras, o autarca lamenta a demora do Ministério do Ambiente, que deveria cofinanciar as obras.

"O canal secundário não está concluído e ainda não está a fazer a função e nas duas pontes que se previa o alargamento das secções de vazão ainda não começaram as obras porque o Ministério do Ambiente reteve essas obras tempo demais, apesar de serem idealizadas e projetadas pelo então INAG e por técnicos do Estado que estudaram bem as cheias de Águeda", criticou.

Jorge Almeida referia-se aos projetos de prolongamento das pontes de Óis da Ribeira e do Campo, e de um novo canal, para controlar as cheias do rio Águeda na Baixa da cidade, obras que no seu conjunto ultrapassam 2,6 milhões de euros.

A diferença do nível da água a montante e a jusante das duas pontes, nas grandes inundações de 2001, levou o então Instituto Nacional da Água a projetar o alargamento da sua secção de vazão, substituindo por pilares os aterros que foram feitos para as estradas, para facilitar a passagem da água.

A intervenção para fazer face às cheias cíclicas na cidade comporta também a construção de um canal artificial com 22 metros de largura e 800 metros de extensão, destinado a recolher as águas e a devolvê-las ao rio, a jusante das pontes, o qual também ainda não está aberto.

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