Agrupamentos são "disparates uns sobre os outros"

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, acusou na segunda-feira o Ministério da Educação e Ciência (MEC) de cometer "disparates uns sobre os outros" e de "pôr em causa o futuro da Educação", com a criação de mais agrupamentos de escolas.

"[O Governo] só tem ouvidos para as ordens que vem de quem diz que é preciso cortar e despedir. Isto é um disparate. Já não temos um Ministério que governa a Educação, temos um Ministério que comete disparates uns sobre os outros e que está a pôr em causa o futuro do ensino e da Educação", declarou à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

O Governo deu na segunda-feira por concluído o processo de agregação de escolas, criando 18 novos agrupamentos escolares, quase todos com mais de dois mil alunos, informou o Ministério da Educação e Ciência (MEC).

Em reação, o líder da Fenprof acusou o Ministério tutelado por Nuno Crato de só "ouvir e obedecer à voz da 'troika', do dinheiro, da poupança e dos despedimentos".

Mário Nogueira criticou ainda o MEC por desvalorizar avaliações negativas aos agrupamentos de escolas, como a do Conselho Nacional de Educação, "que referiu que os mega-agrupamentos não são solução, criaram novos problemas e agravaram os velhos problemas".

Para o líder sindicalista o Governo, "constituído por dois partidos [PSD e CDS-PP] que tanto criticaram os mega-agrupamentos anteriormente, revelam hoje que estavam a fazer 'bluff'".

"[Estavam] apenas a fazer oposição por oposição, mas sem qualquer convicção, de tal maneira que hoje repetem o que era feito, mas de forma agravada", acusou Mário Nogueira.

Para o sindicalista, o que se antevê com o processo de criação de agrupamentos escolares são "despedimentos de professores contratados e mobilidade especial para os professores dos quadros".

"O ministro pode repetir e gritar aos sete ventos que não é isso que vai fazer, que já ninguém acredita nele", disse.

Mário Nogueira garantiu não estar surpreendido com a medida e adiantou que espera mesmo que nos próximos tempos o MEC venha anunciar o "empobrecimento dos currículos" das escolas.

"O interesse do MEC não é governar tendo em conta os interesses da Educação, é governar tendo em conta os interesses das Finanças mesmo que estes sejam contrários aos da Educação", concluiu.

Do processo concluído na segunda-feira pelo MEC saíram 18 novos agrupamentos escolares.

O maior dos agrupamentos criados, segundo uma nota de imprensa emitida pelo MEC, resulta da junção de dois agrupamentos de escolas em Vila do Conde, no distrito do Porto, com 3.301 alunos a cargo.

Dos novos 18 agrupamentos apenas três têm menos de dois mil alunos e foi no distrito de Lisboa, mas fora da capital, que se concretizaram mais junções de escolas e agrupamentos de escolas.

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