Advogado da família diz que Rui Pedro "pode ainda estar vivo"

O advogado da criança de Lousada desaparecida há 13 anos considerou que o julgamento do alegado raptor, hoje iniciado, é sobretudo importante para Rui Pedro, "que pode ainda estar vivo".

"Não pensemos só nos pais e no arguido, pensemos também no Rui Pedro, porque, além de tudo, há uma criança, hoje já homem", afirmou Ricardo Sá Fernandes à saída do tribunal de Lousada, onde decorreu a primeira sessão de julgamento.

O advogado disse estar satisfeito com o grande empenho, das várias partes, em apurar a verdade.

"É esse o nosso compromisso fundamental. Registo com agrado que dentro da audiência tudo decorre com normalidade", afirmou, desvalorizando o incidente de hoje, quando o arguido Afonso Dias interpelou a mãe da criança quando esta falava audiência.

Não foi claro o que o arguido, de pé, disse a Filomena Teixeira, da qual se aproximou, mas percebeu-se que a abordagem não foi ofensiva nem agressiva.

Afonso Dias foi imediatamente interpelado pela juíza, que ordenou que se afastasse e calasse, dizendo-lhe que não permitiria que tal se voltasse a repetir.

Ricardo Sá Fernandes disse compreender o que se passou, considerando que, "às vezes, há alguma emoção entre as pessoas".

"Esse incidente foi ultrapassado", observou aos jornalistas.

Também o advogado de Afonso Dias disse não ter percebido concretamente o que o seu constituinte dissera a Filomena Teixeira.

Paulo Gomes, à saída do tribunal, admitiu ter ficado surpreendido com a reacção do arguido, a qual atribuiu à "emoção do momento".

O jurista considera que a primeira sessão foi difícil, porque foram inquiridos os pais de Rui Pedro.

"Da nossa parte houve a preocupação de sermos compreensivos", afirmou, apontando, no entanto, algumas "contradições claras, "mas perfeitamente compreensíveis tendo em conta o estado em que as pessoas estavam a depor".

Na sessão de hoje foram ouvidos os pais da criança. Ambos confirmaram a tese da acusação, nomeadamente que Rui Pedro tinha uma relação de amizade com Afonso Dias. Disseram também que foi André, primo de Rui Pedro, que contou à família que ambos tinham sido convidados por Afonso para se deslocarem a uma prostituta para terem uma experiência sexual.

Após a alegada deslocação à prostitua, a criança nunca mais foi vista.

Na próxima sessão, marcada para o dia 22 de novembro, vai ser ouvido André, primo da criança desaparecida. O tribunal também ouvirá, como testemunhas, as crianças, hoje adultos, que disseram às autoridades terem visto Rui Pedro entrar para o carro de Afonso, junto à então escola preparatória da vila, no dia do desaparecimento.

Neste processo Afonso Dias responde por um crime de rapto qualificado, por ter, na tese do Ministério Público, aliciado e levado Rui Pedro para um encontro com uma prostituta, em Lustosa, Lousada, após o qual nunca mais foi vista a criança.

Nesta primeira sessão de julgamento, o arguido disse não querer, "para já", falar ao tribunal.

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