Adolescentes e mulheres jovens estão a fumar e a beber mais

No caso do álcool, a percentagem de mulheres entre os 18 e os 24 anos que bebem passou de cerca de 35% para quase 61%.

O Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge realizou em Outubro de 2010, um inquérito telefónico a 1077 lares, no âmbito do seu programa Ecos. O estudo visou fazer uma análise ao cumprimento de alguns dos indicadores do Plano Nacional de Saúde que estão directamente dependentes do maior estudo de saúde nacional: o Inquérito Nacional de Saúde. Como os últimos dados são de 2005/6, a realização deste estudo permite de alguma forma monitorizar e garantir a avaliação nos próximos anos destes dados. No entanto, como o inquérito foi realizado por telefone e tem uma amostra diferente e mais reduzida, "os dados não devem ser directamente comparáveis, porque são menos precisos", refere Maria do Céu Machado. No entanto, apresentam algumas tendências em termos de saúde, nomeadamente entre os jovens . O álcool e o tabaco ainda ultrapassam largamente as metas propostas pelo Plano Nacional de Saúde, afectando, por exemplo, cada vez mais mulheres.

Jovens e saúde

Os jovens não têm uma percepção negativa da sua saúde, pelo menos entre os 18 e os 24 anos, de acordo com os dados recolhidos em Outubro. Entres os 35 e os 44 anos, uma minoria dos inquiridos do sexo masculino (0,4%) e 2,1% das mulheres admitem estar de boa saúde. Só aos 65 anos, e até aos 75, as percentagens parecem aumentar. Mesmo assim, apenas 2% dos homens admitem um estado negativo, contra 19,2% das mulheres envolvidas no estudo. Maria do Céu Machado, a Alta Comissária da Saúde, recorda que os dados deste estudo e do Inquérito Nacional de Saúde de 2005/6 não devem ser comparados, por implicarem metodologias diferentes. Porém, refere que "de acordo com os novos dados, a percepção de saúde dos portugueses estará a melhorar, o que é um bom sinal".

Álcool e tabaco

O consumo de tabaco continua a aumentar entre as mulheres, especialmente as mais jovens. Os dados obtidos este ano após o inquérito a 1077 lares, mostraram que 17,3% das mulheres entre os 15 e os 24 anos já fumavam diariamente, quando em 2005/6 eram 14,2%. Apesar de os universos serem distintos e não inteiramente comparáveis, parece haver um distanciamento da meta de 5% para 2010 no Plano Nacional de Saúde. No caso dos homens, houve uma descida, de 25,9% para 23,4%, uma tendência que já vinha a verificar--se. A meta era atingir os 13% em 2010.

Em termos de álcool, a situação piora claramente, apesar da diferença dos dados e do método usado. Entre os 18 e os 24 anos, 85,4% da população masculina inquirida tinha bebido pelo menos uma bebida alcoólica nos últimos doze meses, muito acima dos 50,1% encontrados no último Inquérito Nacional de Saúde. Entre as mulheres a subida foi de 35,2%, para 60,9%.

Obesidade

A epidemia do excesso de peso e obesidade é e vai manter-se como uma preocupação das autoridades de saúde nacionais. O Inquérito Nacional de Saúde de 2005/6 apontava já uma subida considerável do excesso de peso entre os mais jovens: 9,4% dos homens e 6% das mulheres dos 18 aos 24 tinham peso a mais e 4,2% e 3,4% já eram obesos. Segundo os dados do INSA de 2010, os níveis de obesidade terão caído para 2,5% nos homens e 22,1% nas raparigas. O problema agrava-se na faixa etária seguinte, dos 35 aos 44 anos. Em 2010, cerca de 17% dos homens e das mulheres tinham excesso de peso. A obesidade já atingia 23,4% dos homens e uma percentagem menor (9,2%) de mulheres.

Gravidez em adolescentes

Um indicador que foi cumprido um ano antes da meta de 2010. Em 2009 nasceram menos de quatro mil bebés de mães adolescentes, o que significa que houve um decréscimo de 17,6% em relação a 2004. De acordo com os indicadores do Plano Nacional de Saúde, nasceram 3927 bebés de mães com menos de 20 anos, quando em 2004 se registaram 5264 casos. A meta era conseguir atingir menos de cinco casos destes por cada cem nados-vivos. Este ano, tal como em 2008, atingiu-se uma taxa de 4,2%. O Alentejo é a única região que ultrapassa a meta, com uma taxa de 5,3%. Ainda assim, reduziu em 26,4% a taxa de 2004.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG