Administrador do Grupo Lena detido na Operação Marquês

Joaquim Barroca foi detido quarta-feira à noite, depois de realizadas novas buscas à sede do grupo no concelho de Leiria, no âmbito da mesma operação que envolve José Sócrates.

O administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca foi detido quarta-feira à noite, depois de buscas realizadas à sede do grupo, em Quinta da Sardinha, em Leiria, segundo confirmou ao DN fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Joaquim Barroca foi detido no âmbito da 'Operação Marquês'. Esta tarde vai ser presente ao juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, onde já se encontrava ao início da tarde. O advogado Castanheira Neves recusou-se a prestar declarações aos jornalistas à entrada do TCIC.

Tal como o DN avançou no início do mês de março, o dono do grupo Lena já tinha sido identificado pelo Ministério Público como o autor de várias transferências bancárias, no valor de milhões de euros, para as contas na Suíça de Carlos Santos Silva, o amigo de José Sócrates que também foi detido no âmbito da 'Operação Marquês'.

O procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Rosário Teixeira já tinha assumido no despacho que o Grupo Lena terá sido o "corruptor ativo", o "agente pagador" do antigo primeiro-ministro. As alegações do magistrado constam da sua resposta aos recursos dos arguidos da Operação Marquês, e Rosário Teixeira foi mais longe dizendo que o dinheiro saiu de "contas pessoais de responsáveis" do grupo empresarial de Leira para as contas de Carlos Santos Silva, amigo de Sócrates (ambos em prisão preventiva), que o MP descreve como o seu "agente fiduciário". Informações recolhidas pelo DN mostram ainda que, em novembro de 2013, o Ministério Público português pediu informações à Suíça sobre as contas de Santos Silva, mas, em concertação com o procurador português, esta informação só aterrou em Portugal a 29 de janeiro deste ano

Nas buscas ao grupo Lena de ontem terão participado o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre. O Ministério Público foi coadjuvado pela Autoridade Tributária (AT) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

Após a análise dos dados bancários enviados pelas autoridades helvéticas, o procurador Rosário Teixeira terá identificado não só a origem do dinheiro mas também o período no qual se verificaram transferências de muitos milhões de euros: de 2007 a 2009 - ou seja, durante os mandatos de José Sócrates como primeiro-ministro.

Joaquim Barroca Rodrigues é um dos administradores do Grupo Lena e um dos principais acionistas, filho do fundador da empresa.

No âmbito da 'Operação Marquês' está detido desde novembro do ano passado no Estabelecimento Prisional de Évora o ex-primeiro-ministro José Sócrates, indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

O processo tem também como arguidos João Perna, ex-motorista de José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda Castro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG