Acidentes mataram 116 pessoas em 2010

Os acidentes de trabalho mataram 116 pessoas em Portugal em 2010, uma redução significativa em relação à última década, mas com tendência para subir devido à crise, segundo a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

O coordenador executivo para a Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), Luís Lopes, disse hoje que os números de 2010 significam "uma redução muito grande" em relação aos registados na última década e meia, mas que a crise pode levar a uma "ligeira subida".

"Há 15 anos, o número de acidentes de trabalho mortais ascendeu a 300 e tal, há sete anos foram 200 e tal", afirmou Luís Lopes, acrescentando que ainda não são conhecidos os dados dos últimos dois anos.

Luís Lopes falava numa conferência de imprensa, no Museu D. Diogo, em Braga, onde hoje foi inaugurada a exposição fotográfica "Qual a sua imagem da segurança e saúde no trabalho", iniciativa integrada nas comemorações Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho, que se celebra no dia 28.

"Até hoje, estou ainda para conhecer o primeiro acidente de trabalho que não pudesse ter sido evitado", disse ainda o responsável, para vincar a importância da aposta na prevenção, de forma a que, paulatinamente, se possa caminhar para o "acidente zero".

Na mesma conferência de imprensa, Fernando Gomes, da comissão executiva da CGTP, defendeu que é necessário "apostar forte" na prevenção, lembrando que em 2008 se perderam 7,2 milhões de dias de trabalho por causa de acidentes.

"Isto representa uma perda de 3 mil milhões de euros para a economia", sublinhou.

Para o sindicalista, além da crise, também a precariedade laboral poderá contribuir para o aumento de acidentes de trabalho, já que, "normalmente, as empresas investem pouco em prevenção quando sabem que os trabalhadores estão ali a prazo".

Manuel Roxo, da Inspeção Geral do Trabalho, disse que, em Portugal, os acidentes de trabalho se registam sobretudo "onde há mais indústria", mas também alertou para o crescente número de acidentes com tratores.

Outro foco de preocupação tem a ver com os acidentes simultaneamente de estrada e de trabalho, muitos deles resultantes de pesadas cargas horárias.

Hoje, foi lançada a campanha para os próximos dois anos da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com o lema "Juntos na prevenção de riscos profissionais".

Em Portugal, a campanha constará essencialmente de seminários, ações de sensibilização junto das empresas e atividades nas escolas.

"É fundamental levar esta campanha até aos mais jovens, porque os hábitos de segurança e saúde no trabalho têm de se ganhar desde muito cedo", referiu Luís Lopes.

A indústria extrativa é o setor com maior taxa de incidência de acidentes mortais, mas o maior número de mortes regista-se na construção civil.

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