A televisão vai perguntar-lhe se já tomou os medicamentos

Serviços Partilhados do Ministério da Saúde querem testar ligação com a rede de saúde no próximo ano. Objetivo é garantir um acompanhamento próximo das pessoas que vivem sós

E se um dia a televisão lhe enviar uma mensagem a perguntar-lhe se já tomou os medicamentos ou a pedir-lhe para medir a tensão? Ou se em vez de ir ao centro de saúde, marcar a consulta através do comando que tem em casa, o mesmo que usa para mudar o canal da TV? A realidade está mais próxima do que muitos imaginam. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde querem avançar com as primeiras experiências no próximo ano e acompanhar com proximidade os utentes que estão mais sozinhos. Esta e outras inovações tecnológicas na saúde vão estar em debate a partir de hoje, na eHealth Summit, encontro em que são esperadas mais de oito mil pessoas.

"A televisão é muito abrangente e mais indutora de comportamentos. E sabe quando as pessoas estão a olhar para ela, porque ou mudam o canal ou sobem o som. Nós temos muitas pessoas sozinhas em casa e o nosso objetivo é levar a rede de saúde a casa das pessoas e potenciar soluções digitais para que possam estar mais acompanhadas. O concurso é complexo, demorará seis a nove meses, porque são empresas de grande volume. O queremos é que as três operadoras de televisão concorram todas para terem este serviço: ligar a box da TV aos serviços de saúde e mais tarde ter um canal do Serviço Nacional de Saúde [SNS]", explica ao DN Henrique Martins, presidente da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

A aposta na telemedicina está a crescer, com cada vez mais teleconsultas entre hospitais e centros de saúde. Aqui o foco são os utentes que não usam internet no computador ou nos telemóveis. "Temos dois a três milhões de pessoas de maior idade que não usam internet e têm telefones antigos. Mas usam a televisão e com alguma capacidade. A nossa ideia é ter transações simples, como marcar consultas fazendo uma ligação com o Portal da Saúde, e depois evoluir para soluções mais interessantes, em que a TV está linkada ao número de utentes. Aí podemos enviar mensagens a perguntar se tomaram ou não os medicamentos, se mediram a tensão, registar sinais vitais em que as pessoas podem responder com o comando. Pequenas perguntas com grande valor clínico", explica o responsável.

O primeiro passo é a substituição da rede nos centros de saúde e nos hospitais para aumentar a capacidade de transmissão de informação e a seguir testar estas novas funcionalidades em casa dos utentes. "Queremos começar os primeiros projetos-piloto em algumas casas e com alguns serviços até ao final do primeiro semestre do próximo ano. Iremos fazer questionários para saber o que as pessoas mais valorizam ter na TV e com as operadoras para perceber o que é mais fácil colocar no sistema", diz.

Feira de tecnologia da saúde

Mais inovações tecnológicas na área da saúde irão prender a atenção das oito mil pessoas inscritas na eHealth Summit, cimeira que começa hoje e termina na quinta-feira, no Parque das Nações, em Lisboa. A abertura cabe ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e à ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques.

"Neste encontro estão todos envolvidos: saúde, educação, economia e vários países. Temos vários painéis em que iremos discutir a questão do financiamento, o valor dos dados em saúde, a informação científica, o uso de dados na investigação, o papel que os jovens médicos estão a desenvolver nas tecnologias. Teremos pelo menos 20 startups e uma área dedicada às questões relacionadas com a Europa e projetos internacionais em que participamos, como o resumo clínico, que é um trabalho que estamos a desenvolver com outros países europeus e os EUA."

O SNS não ficará esquecido, nem os vários projetos que estão a crescer nos últimos anos, como a receita e a prescrição de exames sem papel - este último a ser implementado até ao final do ano -, além de uma parceria com o Infarmed relacionada com a evolução digital de processos de autorização de medicamentos e dispositivos médicos. A cibersegurança e o papel dos utentes também não ficou esquecido. "Ser ele a reportar se se sente melhor ou não com a medicação. No nosso caso é informação que pode ser recolhida pelo Portal do Cidadão", adianta Henrique Martins.

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