A primeira presidente no reencontro de Matosinhos com o PS

Luísa Salgueiro ficou à frente de outros dois candidato da família socialista, António Parada e Narciso Miranda

"É um momento de particular alegria por o concelho de Matosinhos se reencontrar com o PS. O PS nunca faltou a Matosinhos e Matosinhos nunca faltou ao PS." Foram as primeiras palavras de uma efusiva Luísa Salgueiro no discurso de vitória, perante os apoiantes. "Daqui para a frente ninguém nos vai separar, porque acima de tudo estão os interesses dos matosinhenses", disse ainda, numa mensagem a apelar para a união entre as gentes da cidade nortenha.

A atual deputada regressa a uma autarquia que conhece bem: foi vereadora entre 1997 e 2009, tendo assumido os pelouros da Saúde, Habitação, Ação Social e Juventude. E torna-se a primeira mulher à frente deste concelho vizinho do Porto. Luísa Salgueiro foi a vencedora de um combate autárquico de contornos únicos. Recebeu o apoio do anterior vencedor das eleições, o falecido Guilherme Pinto (um independente ex-socialista) e integrou nas listas o sucessor de Pinto, Eduardo Pinheiro.

Concorreu contra outras duas candidaturas de dois independentes ex-socialistas: as de Narciso Miranda, que foi presidente da edilidade entre 1977 e 2005, e de António Parada, que se candidatara em nome do PS em 2013 e agora concorreu com o apoio do CDS. O histórico autarca reagiu à derrota citando Mário Soares: "Só perde quem desiste." Já António Parada, que ficou em segundo lugar, afirmou que irá assumir um papel fiscalizador na câmara e que não irá "perdoar as promessas que foram feitas".

No programa eleitoral de Luísa Salgueiro consta a construção de um museu do mar e da indústria conserveira, um laboratório criativo (espaço para as indústrias criativas), benefícios fiscais para os pequenos empresários, wi-fi gratuito no espaço público, um alargamento da oferta de transportes públicos e a isenção de taxas aos bombeiros. Em jeito de balanço, no final da campanha eleitoral, Luísa Salgueiro afirmou ter feito "uma campanha pela positiva", sem ataques aos adversários, e pedira a maioria absoluta para ter condições para trabalhar.

Devido à sua ação enquanto deputada, foi alvo, em junho, de um ataque verbal que muita tinta fez correr - e que lhe deu notoriedade. Por causa do voto favorável de Luísa Salgueiro à candidatura de Lisboa para receber a sede da Agência Europeia dos Medicamentos, o eurodeputado Manuel dos Santos atacou-a no Twitter: "Luísa Salgueiro, dita a cigana, e não é só pelo aspeto, paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas." Um coro de vozes criticou as palavras do eurodeputado. O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu a expulsão de Manuel dos Santos do partido.

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