"A magia sempre ajudou na escola"

O DN lançou a iniciativa Professor do Ano, que visa reconhecer os melhores professores. Estamos também a ouvir personalidades de várias áreas que lembram os tempos de estudante. Hoje, o mágico Hélder Guimarães, considerado o melhor do mundo com as cartas, conta como a formação para o espetáculo o ajudou na escola.

Ainda se lembra da primeira escola que frequentou?

Sim. A primeira, em certa medida, foi o meu infantário. Chamava-se "O Petiz" e ficava na Rua Miguel Bombarda, no Porto. Não sei se ainda existe ou não. Foi o primeiro contacto com o formato de escola. Ainda tenho amigos que fiz lá. E a dona do infantário, que toda a gente chamava Gi, encontrei-a há pouco tempo. Ela reconheceu-me. Depois, a primeira escola mesmo oficial em que estive foi a Escola do Carmo, perto de Cedofeita, no Porto. E a minha professora chamava-se Lígia. Lembro-me perfeitamente de várias coisas que se passaram por ali.

Sempre foi bom aluno ou teve percalços no percurso de estudante?

Sempre gostei muito de estudar e de aprender. O meu relacionamento com a escola sempre foi muito positivo. Acho que os primeiros problemas que comecei a ter surgiram um pouco mais tarde, por volta do sétimo ano.

Começou a aprender magia muito novo, em casa. Levava essa experiência, os truques que aprendia para o espaço da escola?

Comecei a aprender a fazer isso antes de entrar na escola oficial. Com quatro anos, já estava envolvido no mundo da magia. Mas sempre resolvi manter as coisas separadas. Quando era adolescente, aí, sim, já existia o cruzamento entre os meus colegas de escola e o que fazia fora do horário escolar. Nunca fiz questão de o fazer, mas, de alguma forma, o conhecimento que tinha na magia sempre me ajudou na escola.

Devido ao método, à persistência e à memorização envolvidos na magia?

A magia envolve diferentes capacidades e, dependendo da intensidade e da dedicação que temos a ela e das horas que passamos em frente ao livro, em frente ao espelho a praticar, desenvolvemos algumas que ajudam na escola. Uma delas, de facto, a memorização, embora nunca tenha gostado de memorizar: prefiro entender as coisas, porque quando o faço fico com elas para a vida toda.

Quais eram as suas áreas fortes e fracas?

Sempre fui excelente aluno em Matemática e bom em filosofia. Depois havia outras disciplinas que já não me diziam tanto. O primeiro problema que tive foi com uma professora de História que ia para as aulas falar dos cães e dos gatos que tinha em casa. Depois chegava às frequências e, no momento em que estávamos a ser avaliados, aparecia-nos por trás e começava a ler as respostas e a fazer comentários e críticas logo ali. Foi nessa altura que percebi que nem todos os professores têm vocação para ensinar.

No geral, a sua experiência com os professores foi positiva ou negativa?

No global, tive uma excelente relação com os meus professores. Aliás, tenho professores dos tempos de liceu com os quais continuo em contacto e que são até excelentes amigos, que acabaram por marcar a minha vida e educação. Pessoas que traziam um cariz humano ao ensino, como a minha professora de Matemática, Isa Monteiro, e a professora de Inglês, Maria Luís Teixeira.

Após o secundário, ainda seguiu para a universidade ou dedicou-se logo à magia?

Estive um ano no curso de Engenharia de Sistemas Informáticos, mais porque precisava de ir para a universidade. Depois fui para a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo tirar teatro, que conclui. Mas nunca me dediquei muito ao teatro. A partir de 2007/2008 optei pela magia.

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