A hepatite C e como se trata

O que é a hepatite C?

A hepatite C é uma doença inflamatória que afeta o fígado e que se cura sem tratamento em 20% dos casos. Nos restantes 80% evolui e torna-se crónica. A hepatite C é viral e transmite-se pelo sangue: através de partilha de agulhas, transfusões, agulhas das tatuagens e em casos raros por relações sexuais. Os sintomas podem demorar anos a surgir, passando sobretudo por cansaço, mas com o tempo a doença evolui para fibrose, cirrose e cancro do fígado. Há 700 a 900 portugueses que todos os anos morrem com a doença. Portugal tem cerca de dez mil pessoas com hepatite C, mas apenas um terço sabe que tem a doença.

Que tratamentos existem?

O tratamento clássico é feito com interferão e ribavirina. No ano passado foram aprovados o boceprevir e o telaprevir, que aumentam a taxa de cura de 50% para 70% a 80%, mas ainda têm muitos efeitos secundários. O sofosbuvir tem uma taxa de cura de 90% e pode ser usado nos seis genótipos da doença. Pode ser usado em 12 a 24 semanas em combinação com os medicamentos mais antigos. Mas há outros, como o da Abbvie, "com taxas de 96%") ou da Bristol Myers Squibb.

O que tem impedido o tratamento de todos os doentes?

Nem todos os doentes estão a ser tratados com medicamentos inovadores. Tudo por causa do processo de negociação entre o governo e as farmacêuticas a respeito do preço destas substâncias. No início do ano, o Infarmed anunciou um acordo com o laboratório Gilead para que fossem tratados de forma gratuita cem doentes com os medicamentos sofosbuvir/ledipasvir, cujas taxas de sucesso rondam os 90%. Esse era o número de casos mais graves que precisavam de receber o tratamento de imediato. O valor do tratamento em negociação ronda os 41 mil euros por doente.

O que está a ser feito para tratar os doentes?

O ministério criou um programa especial para tratar estes doentes, com um financiamento anual de 20 milhões de euros e que arranca este ano. Mas previa no final de 2014 ter 150 pessoas a receber sofosbuvir/ledipasvir. Em dezembro, apenas 67 tinham autorização especial para aquisição do remédio aprovada. O laboratório tinha conhecimento de apenas 34, seis deles a ser tratados no privado. Outros 120 doentes estavam em ensaios clínicos e 152 a receber outro remédio, indicou o Infarmed em janeiro.

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